Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de outubro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de outubro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – (Japaratuba-SE)
O sábado, 3 de outubro de 2026, amanheceu com a democracia arrumando a roupa para a festa do dia seguinte. Em Sergipe, até o ônibus resolveu exercer cidadania: neste domingo de eleição, o transporte intermunicipal será gratuito. É quase como se o velho coletivo, acostumado a sacudir passageiro em cada buraco da estrada, dissesse: “Suba, cidadão! Hoje a passagem é por conta da democracia!” E convenhamos: num país onde tanta coisa custa os olhos da cara, poder viajar de graça para votar é quase um milagre administrativo digno de fogos, banda de pífano e motorista recebendo aplausos na rodoviária. A gratuidade também valerá num eventual segundo turno, em 25 de outubro. Afinal, voto é escolha, não deveria ser artigo de luxo nem depender do saldo da carteira.
Enquanto Sergipe facilita o caminho até as urnas, lá na França resolveram declarar guerra ao romance proibido entre motorista e celular. Quem for flagrado dirigindo de olho na telinha poderá ter a carteira suspensa. E faz sentido: há gente que segura o volante com uma mão e, com a outra, responde mensagem, vê vídeo, manda figurinha, consulta rede social e talvez só falte preparar um cuscuz enquanto dirige! O celular virou amante ciumento: chama, vibra, apita, pisca e exige atenção justamente quando a estrada pede olhos, prudência e juízo. A França parece dizer: “Ou namora o celular ou dirige o carro; os dois juntos não!” Porque trânsito não é grupo de WhatsApp: uma distração não se apaga com “excluir para todos”.
E, quando parecia que o sábado já tinha gastado todo o seu estoque de emoção, o futebol feminino tratou de abrir as cortinas do Morumbis. Sete anos depois de reconstruir seu projeto, o São Paulo conquistou o Campeonato Brasileiro Feminino diante do Corinthians. Depois de vencer a ida por 2 a 1, segurou o empate em 1 a 1 e levantou a taça. Foi um título plantado como árvore: primeiro veio a semente, depois o cuidado, a formação das atletas, a estrutura, a paciência e, finalmente, o fruto. Futebol também sabe escrever poesia com chuteiras. A bola rolou e parecia dizer que projeto sério não nasce pronto, cresce.
E assim terminou o dia 3: ônibus preparando o caminho da democracia, franceses tentando convencer motoristas de que WhatsApp não é copiloto e mulheres mostrando que persistência também balança redes e levanta taças. No fundo, as três notícias contam a mesma história: para chegar ao destino é preciso escolher o caminho, prestar atenção na estrada e não desistir no meio do percurso. Amanhã haverá urnas; hoje houve ônibus, volante e bola. E a vida, essa cronista debochada, continua escrevendo suas manchetes sem pedir licença — às vezes de graça, às vezes com cartão vermelho e, quando capricha, com taça na mão.