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CONTO : A Travessia

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A Travessia Por Antonio Glauber Santana Ferreira - Japaratuba-SE Havia um rio largo que cortava a pequena cidade como uma cicatriz antiga. Diziam que, do outro lado, tudo era diferente: o vento soprava mais leve, os caminhos eram mais claros, e o coração das pessoas batia sem medo. Miguel olhava para aquela água todos os dias. Não era um rio bravo, mas também não era manso. Era daqueles rios silenciosos, que parecem tranquilos, mas escondem correntezas que puxam para dentro — como certas tristezas que a gente guarda sem contar a ninguém. Durante muito tempo, Miguel ficou na margem. Observava. Pensava. Inventava desculpas. Dizia a si mesmo que ainda não era a hora. Que faltava coragem. Que faltava força. Mas, numa manhã em que o céu amanheceu cor de esperança, ele percebeu que o tempo não espera ninguém. O rio continuava correndo, indiferente, como um relógio líquido. Então decidiu atravessar. Construiu uma pequena jangada com madeira velha, amarrada com cordas gastas, e emp...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O domingo amanheceu com o céu de Sergipe de cara fechada, como um velho sanfoneiro que acordou sem café. As nuvens, gordas e pesadas, marchavam em fila, e a chuva desceu com o passo firme de quem não pede licença — bateu em telhado, tamborilou em janela, escorreu pelas ruas como rios improvisados. Em Maruim, Japaratuba, Neópolis, Carira, Feira Nova… a água parecia escrever poemas apressados no chão. E quando um muro caiu em Porto da Folha, foi como se a cidade tivesse perdido um dente — um pedaço da paisagem arrancado pela força invisível do tempo. Em Aracaju, trovões rugiam como leões de bronze, e relâmpagos riscavam o céu como assinaturas nervosas da natureza. Mas enquanto a chuva exagerava na dose, no campo da região sudoeste de São Paulo a preocupação era outra. O agricultor olhava para as uvas como um pai aflito olhando ...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O mundo amanheceu no dia 6 de fevereiro como um circo que esqueceu de desmontar a lona: os palhaços continuaram no picadeiro, os leões rugiram nas manchetes e o público, coitado, ficou pagando ingresso em forma de atenção. Em Sergipe, o governo suspendeu a portaria sobre o uso de rodovias para eventos. Foi como puxar o freio de mão de uma carroça que já vinha rangendo. Agora o DER promete explicar critérios, regras e cobranças… promessa que, na política, costuma ter a consistência de um castelo de areia à beira-mar: bonito, mas sempre ameaçado pela primeira onda da realidade. Em Brasília, o presidente Lula defendeu a PEC da Segurança Pública e falou em criar um Ministério da Segurança. O discurso veio com o velho tempero da política brasileira: ideias fervendo na panela e a pergunta de sempre pairando no ar como fumaça de fogão a lenha —...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O dia 5 de fevereiro amanheceu com o sol espreguiçando-se devagar, como um gato preguiçoso em telhado quente, enquanto o mundo já corria feito menino atrás de pipa em ventania. As notícias chegaram, como sempre, batendo na porta sem pedir licença, trazendo na sacola um pouco de riso, um pouco de susto e uma boa dose de reflexão. Comecemos pelas estradas de Sergipe, essas veias de asfalto por onde circulam sonhos, caminhões, motos, promessas e às vezes até trio elétrico perdido. O DER resolveu colocar ordem no baile e anunciou novas regras para eventos festivos em rodovias estaduais. E não é que a festa agora vai precisar pedir licença até para o vento? Pois é… o forró terá que dançar com o carimbo da burocracia, e o som do pandeiro terá que respeitar o compasso da papelada. Dizem que é pela segurança — e é justo, claro — porque estrada n...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE Vamos viajar na leitura. Apertem os cintos da imaginação: o ônibus das notícias saiu atrasado, mas trouxe bagagem pesada. Na primeira parada, aposentados da educação da rede estadual de Sergipe esperam os precatórios como quem espera chuva em estiagem — olhando o céu da burocracia, contando nuvem por nuvem, enquanto o tempo passa de bengala e o calendário faz pouco caso. Logo adiante, o Congresso aprovou reajuste e a conta chegou com salto alto: R$ 790 milhões. Para 95% dos municípios, o orçamento é um cobertor curto — se cobre os pés, descobre a cabeça. A tesouraria suspira, o Tesouro pigarreia, e 5.526 cidades ficam olhando a vitrine do possível com o bolso furado do real. Ironia hiperbólica? É planilha com poesia triste. No cenário internacional, o mundo tirou o último freio de mão: acabou o acordo nuclear entre EUA e Rússia. O Tratad...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE Olá, caro(a) leitor e leitora, como foi o dia de vocês? Espero que tenha sido ótimo. Respire fundo, ajeite a cadeira da alma, sirva um café (ou um chá de paciência) e vamos pra leitura da crônica de hoje — porque o dia 03 de fevereiro de 2026 acordou falante, irônico, emotivo e com vontade de filosofar de chinelo. Começamos por Japaratuba, esse celeiro da cultura sergipana onde o tempo mistura passado, presente e futuro num balaio só. Teve início a Jornada Pedagógica 2026, e a cidade, de repente, virou sala de aula ampliada, quadro-negro do tamanho da esperança. O tema — “Letramentos Múltiplos e Alfabetização como base para a formação integral” — soou como poesia pedagógica. Era como se as letras saíssem dos livros, esticassem as pernas e dissessem: “chega de ficar presas em páginas, queremos formar gente inteira”. Professore...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de Fevereiro de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE Fevereiro abriu os olhos no dia 02 como quem acorda com ressaca de manchete. Espreguiçou-se bocejando notícias, tropeçou no próprio calendário e saiu distribuindo absurdos com cheiro de ironia recém-passada. O mundo, esse velho malandro, resolveu brincar de feira-livre: de um lado, perfume importado sem CPF; do outro, botijão de gás com esperança embrulhada; ao fundo, o mar da Polônia vestindo sobretudo e congelando até a metáfora. Comecemos pela BR-101, km 104, São Cristóvão — um trecho que virou alfândega improvisada do destino. A PRF e a Polícia Civil puxaram o freio de mão da ilegalidade e abriram o porta-malas do espanto: 223 produtos sem comprovação fiscal, como se o carro fosse uma farmácia clandestina com aroma de duty free. Havia eletrônicos querendo ligar o mundo, perfumes tentando maquiar a consciência e medicamentos querendo bombar músculos e silêncios. Botox incluso — porque até a ilegalidade anda preocupada ...