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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE Era um sábado que parecia ter nascido com resfriado: olhos marejados de chuva e coração batendo que nem chaleira no fogo alto. Em Porto da Folha, a chuva fez mais do que molhar chinelo: veio como aquele parente inconveniente que não só fica, mas decide redecorar a casa — e derruba as paredes! Uma casa desabou, como se o solo dissesse “hoje eu trabalho em dobro”, confirmando que quando a natureza decide dançar, a gente só assiste ao show molhado. A Defesa Civil falou em interdição e água acumulada na estrada que leva à Ilha do Ouro — nome sonoro, quase poético, mas impossível de caminhar sem galo no pé. Enquanto a lama subia no Nordeste, o presidente do Brasil estava no céu — ou melhor, a bordo de um avião que saiu da Índia rumo à Coreia do Sul, como se fosse estrela pop em turnê pelas terras da Ásia em busca de autógrafos diplomáticos. A...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O céu resolveu mastigar gelo e cuspir indignação em Porto da Folha. Granizo no Alto Sertão. Pedras de gelo caindo como se São Pedro tivesse perdido a paciência e decidido jogar dados com a cabeça do povo. Não era chuva. Era pedrada meteorológica. Era o céu praticando arremesso olímpico. Era a natureza dizendo: “Vocês andam quentes demais.” E o sertanejo, acostumado a negociar com o sol como quem conversa com um patrão mal-humorado, de repente olhou para cima e viu o firmamento virar freezer. O chão quente beijando o gelo. A terra, que cheira a suor e esperança, agora cheirava a surpresa. O granizo caiu como se o clima tivesse decidido fazer stand-up comedy: — Vocês reclamam do calor? Toma gelo! E a Secretaria de Meio Ambiente confirmou o fenômeno. Confirmou como quem diz: “Não foi miragem, não. Foi o mundo avisando que está com febre.” O...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE No dia 19 de fevereiro de 2026 o céu resolveu escrever poesia em letras de vento. Um tal de vórtice ciclônico — esse redemoinho professor de Geografia que não aceita aula vaga — começou a girar sobre Sergipe como quem mexe o café da manhã com colher de tempestade. Não é furacão, não é apocalipse, não é cavalo do Cacique Morubixaba galopando no horizonte. É só o céu lembrando que ainda sabe rodopiar. As nuvens convectivas — nome bonito para “nuvens com personalidade forte” — se levantaram feito plateia indignada. Trovoadas ensaiaram solos de bateria. O vento fez discurso. A chuva, ah, a chuva... caiu como lágrima grossa de um céu que não aguenta mais tanto calor humano e tão pouca humanidade térmica. E enquanto o céu girava, a economia fazia pirueta. A empresa aérea Azul Linhas Aéreas anunciou um aporte de 300 milhões de dólares, com inve...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE No início da quaresma, o mundo resolveu fazer jejum… mas não foi de pecado, foi de juízo. Enquanto os sinos invisíveis da reflexão dobravam no coração da quarta-feira de cinzas , o povo corria para o Mercado Central de Aracaju como se cada peixe fosse um pedaço de salvação empanado na fé. Cresceu a procura por pescados — e eu fiquei imaginando São Pedro olhando lá de cima e dizendo: “Rapaz, agora lembram de mim!”  A tilápia virou penitência, o camarão virou promessa, e o bacalhau — esse aristocrata da mesa — desfilava nas bancas como celebridade de tapete vermelho. O cheiro de mar misturado com suor, conversa alta e moeda tilintando era uma sinfonia popular, dessas que não entram no Spotify, mas entram na alma. E enquanto o povo comprava peixe para purificar o corpo, o noticiário fritava números em óleo fervente: o FGC já pagou 84% d...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O dia 17 de fevereiro amanheceu com o sol meio pensativo, como um velho cronista sentado na beira do rio, olhando a correnteza e perguntando à vida: “Para onde vocês estão indo com tanta pressa?” O Carnaval ainda dançava pelas ruas, mas não era apenas a alegria que desfilava. Havia também o silêncio pesado das notícias — aquelas que chegam como vento frio em tarde de verão, arrepiando até a sombra. Sergipe registrou mais de trinta afogamentos e uma morte durante o Carnaval. Trinta… número que parece uma fileira de cadeiras vazias na praia da vida. O mar, esse velho poeta salgado, às vezes canta, às vezes abraça… e às vezes leva. O mar não é vilão, não. O mar é apenas o mar — quem brinca com gigante precisa aprender a respeitar seus passos. Mas o brasileiro, ah… o brasileiro às vezes acha que onda é rede de balanço e correnteza é estrada ...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O mundo acordou no dia 16 de fevereiro como um tambor de escola de samba: barulhento, ritmado, alegre em alguns compassos… e triste em outros, como um surdo que falha no meio da batucada da vida. Segunda-feira de Carnaval. O calendário vestia fantasia, mas a realidade, essa velha senhora de chinelos gastos, insistia em aparecer sem maquiagem. Em Tobias Barreto, um micro-ônibus resolveu brincar de pião no asfalto. Capotou como um bêbado tropeçando na calçada do destino. Dentro dele, vidas frágeis como copos de cristal num tabuleiro de pedra. Entre os feridos, uma gestante — duas vidas dentro de um corpo, duas esperanças sacudidas pela brutalidade do acaso. O asfalto, silencioso, parecia pedir desculpas. O vento, que tudo vê, soprou baixinho como quem reza. E eu fico pensando… A vida é um ônibus cheio de sonhos, dirigido por um...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE Vamos à leitura da crônica de hoje. O Carnaval em Sergipe resolveu acender o pavio da alegria como se o sol tivesse descido do céu para brincar de pandeiro. Pirambu, Aracaju, Neópolis e Barra dos Coqueiros viraram um grande caldeirão de purpurina, suor e gargalhadas — um oceano onde as ondas não são de água, mas de gente dançando, sorrindo e esquecendo, ainda que por algumas horas, as contas, os boletos e os espinhos da vida. O Carnaval, esse velho mágico, tem o estranho poder de transformar pedreiro em rei, professora em passista, e político em santo… pelo menos até a quarta-feira de cinzas, quando a fantasia volta a ser apenas tecido e a realidade reaparece, séria, com cara de segunda-feira. Mas enquanto o tambor rufava, a vida também tocava um sino grave: morreu Renato Rabelo, aos 83 anos, um homem que atravessou décadas de debates, i...