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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de março de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de março de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE Março chegou batendo à porta como cobrador de promessas atrasadas. Entrou sem pedir licença, com o paletó cheirando a pólvora internacional e a lama urbana, misturando o perfume ácido da geopolítica com o odor úmido das ruas alagadas de Aracaju. Março não veio em silêncio. Veio estalando os dedos como quem diz: “Acordem! O mundo está em combustão.” Lá longe, no tabuleiro nervoso do Oriente Médio, mísseis cruzaram o céu de Teerã como cometas raivosos. A notícia gritou: bombardeio mata o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. E eu, daqui de Japaratuba, senti o chão do planeta tremer como se fosse o piso frágil de uma sala de aula em dia de prova surpresa. O mundo anda brincando de Guerra Fria com fósforo aceso em posto de gasolina. Os Estados Unidos e Israel atiraram suas decisões como quem lança dados sobre um mapa em chamas. O Irã respo...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE Fevereiro resolveu ir embora como artista dramático: jogou beijo para a plateia, chorou no camarim e saiu pela porta dos fundos dizendo “até o próximo ano”, como quem sabe que deixa saudade e dívida no cartão. O mês se despede histórico — e não é exagero, é hipérbole com diploma! Porque o mundo hoje acordou com cheiro de pólvora internacional, perfume de ração para gatos adotados e um bilhete premiado que insiste em não saber o meu endereço. Em São Cristóvão, uma árvore resolveu testar a lei da gravidade na cabeça de um comerciante. A natureza, quando quer chamar atenção, não manda zap — manda tronco. O homem foi socorrido ao Hospital Senhor dos Passos, enquanto a árvore, silenciosa e vegetal, talvez dissesse: “não era pessoal, era só o vento ensaiando tragédia”. Ah, fevereiro… mês que cai folha, cai chuva, cai ficha e, às vezes, cai árv...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O dia 27 amanheceu com sede. Sede de água, sede de juízo, sede de humanidade. Em Aracaju, um cano resolveu fazer drama existencial no Bairro Santa Maria. Rompeu-se. Não foi apenas a tubulação — foi a paciência. A água, essa poeta líquida que corre pelos encanamentos como verso apressado, decidiu fazer greve silenciosa na Zona Sul. Torneiras abriram a boca e só saiu suspiro. Chuveiros choraram seco. Panela vazia virou tambor de protesto. É curioso… a água só vira manchete quando falta. Quando tem, a gente desperdiça como quem rasga carta de amor. E lá estava o povo, olhando para o céu azul como quem pergunta: — “Meu Deus, cadê a caixa d’água da esperança?” Enquanto isso, no palco da política nacional, o governo ensaiava uma dança do recuo. Aumentou tarifa de eletrônico, depois desaumentou. Sobe, desce. Aperta, solta. Smartphones quase fic...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O dia 26 amanheceu com o céu de Sergipe de mau humor. Em Canindé de São Francisco, a chuva resolveu não pedir licença — entrou feito parente afoito que arromba a porta e ainda reclama do café. Foram 120 milímetros de água. Cento e vinte! Uma centena e mais vinte baldes celestiais despejados sem cerimônia. A rua virou rio, o rio virou mar, e o sofá da sala quase pediu boia salva-vidas. A chuva não caiu — despencou. Desceu com raiva acumulada, tamborilando nos telhados como baterista de banda de forró em final de festa. E uma família ficou desalojada. Desalojada é palavra fria, técnica, burocrática… mas por trás dela há colchões encharcados, fotografias chorando tinta, paredes soluçando reboco. A água, quando quer, escreve sua própria biografia na parede da gente. Enquanto isso, lá no Planalto Central, a taça da Copa do Mundo desfilava com...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O dia 25 amanheceu com cheiro de gás, papel timbrado e justiça atrasada — uma mistura explosiva digna de panela de pressão esquecida no fogão da República. O governador de Sergipe anunciou a compra total da Sergipe Gás, como quem diz: “agora o botijão é nosso!”. Dinheiro vindo da concessão da Deso — ou seja, vendemos a água para comprar o fogo. É a alquimia moderna: privatiza ali, estatiza acolá, e o povo, esse eterno equilibrista, vai cozinhando o feijão na corda bamba da inflação. Mas há quem veja nisso soberania energética; eu vejo um Estado tentando reacender a chama do orgulho, soprando brasas com discurso de dono da casa. Em Brasília, a Câmara aprovou o acordo entre Mercosul e União Europeia. Um casamento transatlântico — com direito a vestido de noiva bordado de tarifas reduzidas e promessa de lua de mel econômica. Dizem que pode ...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE --- O dia 24 amanheceu com o coração dividido entre a seringa e o sirene. De um lado, Sergipe recebeu 7,9 mil doses de esperança líquida — a vacina contra a dengue chegou como quem traz guarda-chuva em tempo de nuvem traiçoeira. Quadrivalente! Protege contra quatro sorotipos! Uma vacina 100% brasileira, dessas que dão vontade de bater no peito e dizer: “É nossa!” É curioso… enquanto o mosquito faz campanha eleitoral dentro das casas, zune promessas no ouvido e pede voto na água parada, a ciência responde com agulha fina e coragem grossa. A dengue, esse vampiro tropical de asas democráticas — que não escolhe classe social — agora encara um adversário de jaleco branco e sotaque nacional. Sete mil e novecentas doses. Parece pouco diante do exército de pernilongos que fazem rave nas caixas d’água. Mas é semente. E toda semente, quando planta...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE A segunda-feira amanheceu com cheiro de ferro queimado e lágrima represada. O céu parecia ter acordado mais baixo, como se tivesse diminuído o volume do mundo por respeito. E a primeira notícia do dia não foi manchete — foi punhal. Dois sergipanos, dois meninos do nosso chão, dois filhos do vento nordestino, encontrados dentro de um tanque que explodiu feito coração traído em Volta Redonda. Alberdan, de Pirambu. Antoniel, de Japaratuba. Dois nomes que agora ecoam como sino rachado na memória da gente. Foram buscar sustento e encontraram silêncio. Foram atrás de futuro e tropeçaram na brutalidade do destino. A vida, às vezes, é um contrato escrito a lápis num papel molhado. A explosão não foi só de combustível. Foi de sonhos. Foi de planos. Foi de promessas feitas às mães ao pé do portão: “Eu volto, mainha.” E agora o que volta é a saudad...