POESIA : Circunstâncias
Circunstâncias Por Antonio Glauber Santana Ferreira As circunstâncias, ah… essas alcoviteiras do destino, vestem-se de névoa e veludo, caminham taciturnas pelos corredores do tempo como monjas insones carregando círios apagados. Há dias em que o universo parece um vitral estilhaçado pela própria aurora, e os homens, pobres náufragos de si mesmos, vagam sob a clemência áspera de relógios impiedosos e calendários putrefatos. Circunstâncias… essas meretrizes metafísicas que gargalham nos interstícios da esperança e semeiam cardos sobre os jardins da expectativa. Têm dedos longilíneos, feitos de ferrugem e penumbra, e olhos abissais onde dormitam as larvas da dúvida. Quantas vezes o coração, esse órgão incendiário e indômito, ajoelha-se diante do acaso como um vassalo febril diante de um rei moribundo? Quantas vezes a alma, exausta de silêncios e vicissitudes, embriaga-se de quimeras para suportar o peso ciclópico das horas? Há circunstâncias que chegam como cataclismos siderai...