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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O dia 25 amanheceu com cheiro de gás, papel timbrado e justiça atrasada — uma mistura explosiva digna de panela de pressão esquecida no fogão da República. O governador de Sergipe anunciou a compra total da Sergipe Gás, como quem diz: “agora o botijão é nosso!”. Dinheiro vindo da concessão da Deso — ou seja, vendemos a água para comprar o fogo. É a alquimia moderna: privatiza ali, estatiza acolá, e o povo, esse eterno equilibrista, vai cozinhando o feijão na corda bamba da inflação. Mas há quem veja nisso soberania energética; eu vejo um Estado tentando reacender a chama do orgulho, soprando brasas com discurso de dono da casa. Em Brasília, a Câmara aprovou o acordo entre Mercosul e União Europeia. Um casamento transatlântico — com direito a vestido de noiva bordado de tarifas reduzidas e promessa de lua de mel econômica. Dizem que pode ...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE --- O dia 24 amanheceu com o coração dividido entre a seringa e o sirene. De um lado, Sergipe recebeu 7,9 mil doses de esperança líquida — a vacina contra a dengue chegou como quem traz guarda-chuva em tempo de nuvem traiçoeira. Quadrivalente! Protege contra quatro sorotipos! Uma vacina 100% brasileira, dessas que dão vontade de bater no peito e dizer: “É nossa!” É curioso… enquanto o mosquito faz campanha eleitoral dentro das casas, zune promessas no ouvido e pede voto na água parada, a ciência responde com agulha fina e coragem grossa. A dengue, esse vampiro tropical de asas democráticas — que não escolhe classe social — agora encara um adversário de jaleco branco e sotaque nacional. Sete mil e novecentas doses. Parece pouco diante do exército de pernilongos que fazem rave nas caixas d’água. Mas é semente. E toda semente, quando planta...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE A segunda-feira amanheceu com cheiro de ferro queimado e lágrima represada. O céu parecia ter acordado mais baixo, como se tivesse diminuído o volume do mundo por respeito. E a primeira notícia do dia não foi manchete — foi punhal. Dois sergipanos, dois meninos do nosso chão, dois filhos do vento nordestino, encontrados dentro de um tanque que explodiu feito coração traído em Volta Redonda. Alberdan, de Pirambu. Antoniel, de Japaratuba. Dois nomes que agora ecoam como sino rachado na memória da gente. Foram buscar sustento e encontraram silêncio. Foram atrás de futuro e tropeçaram na brutalidade do destino. A vida, às vezes, é um contrato escrito a lápis num papel molhado. A explosão não foi só de combustível. Foi de sonhos. Foi de planos. Foi de promessas feitas às mães ao pé do portão: “Eu volto, mainha.” E agora o que volta é a saudad...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O domingo acordou encharcado. Não de água apenas — mas de sustos. Em Poço Verde, a chuva desceu do céu como se tivesse brigado com as nuvens e resolveu pedir divórcio na marra. Invadiu ruas, hospital, abrigo de cães… A água entrou sem bater à porta, feito visita inconveniente que chega para “ficar só cinco minutinhos” e acaba dormindo na sala. Trinta e seis cães ficaram desabrigados. Trinta e seis latidos transformados em interrogação. A enchente não molhou apenas paredes — molhou a dignidade. E eu fico pensando: a natureza grita, mas a gente insiste em fingir que é sussurro. Na BR-101, em Muribeca, a notícia veio fria como vidro de carro fechado: um casal encontrado sem vida. O automóvel virou cápsula de silêncio. A estrada, que costuma levar sonhos e cargas, naquele dia carregou mistério. Há dias em que o asfalto parece rezar baixinho....

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE Era um sábado que parecia ter nascido com resfriado: olhos marejados de chuva e coração batendo que nem chaleira no fogo alto. Em Porto da Folha, a chuva fez mais do que molhar chinelo: veio como aquele parente inconveniente que não só fica, mas decide redecorar a casa — e derruba as paredes! Uma casa desabou, como se o solo dissesse “hoje eu trabalho em dobro”, confirmando que quando a natureza decide dançar, a gente só assiste ao show molhado. A Defesa Civil falou em interdição e água acumulada na estrada que leva à Ilha do Ouro — nome sonoro, quase poético, mas impossível de caminhar sem galo no pé. Enquanto a lama subia no Nordeste, o presidente do Brasil estava no céu — ou melhor, a bordo de um avião que saiu da Índia rumo à Coreia do Sul, como se fosse estrela pop em turnê pelas terras da Ásia em busca de autógrafos diplomáticos. A...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE O céu resolveu mastigar gelo e cuspir indignação em Porto da Folha. Granizo no Alto Sertão. Pedras de gelo caindo como se São Pedro tivesse perdido a paciência e decidido jogar dados com a cabeça do povo. Não era chuva. Era pedrada meteorológica. Era o céu praticando arremesso olímpico. Era a natureza dizendo: “Vocês andam quentes demais.” E o sertanejo, acostumado a negociar com o sol como quem conversa com um patrão mal-humorado, de repente olhou para cima e viu o firmamento virar freezer. O chão quente beijando o gelo. A terra, que cheira a suor e esperança, agora cheirava a surpresa. O granizo caiu como se o clima tivesse decidido fazer stand-up comedy: — Vocês reclamam do calor? Toma gelo! E a Secretaria de Meio Ambiente confirmou o fenômeno. Confirmou como quem diz: “Não foi miragem, não. Foi o mundo avisando que está com febre.” O...

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de Fevereiro de 2026

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Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de Fevereiro de 2026 Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE No dia 19 de fevereiro de 2026 o céu resolveu escrever poesia em letras de vento. Um tal de vórtice ciclônico — esse redemoinho professor de Geografia que não aceita aula vaga — começou a girar sobre Sergipe como quem mexe o café da manhã com colher de tempestade. Não é furacão, não é apocalipse, não é cavalo do Cacique Morubixaba galopando no horizonte. É só o céu lembrando que ainda sabe rodopiar. As nuvens convectivas — nome bonito para “nuvens com personalidade forte” — se levantaram feito plateia indignada. Trovoadas ensaiaram solos de bateria. O vento fez discurso. A chuva, ah, a chuva... caiu como lágrima grossa de um céu que não aguenta mais tanto calor humano e tão pouca humanidade térmica. E enquanto o céu girava, a economia fazia pirueta. A empresa aérea Azul Linhas Aéreas anunciou um aporte de 300 milhões de dólares, com inve...