Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de outubro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de outubro de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira – (Japaratuba-SE)

Começo a crônica de hoje com uma notícia muito triste. Outubro mal abriu a porta e já entrou na sala com os olhos marejados: morreu Lito Sousa, aos 59 anos, o homem que fez do céu uma enorme sala de aula e transformou parafusos, turbinas, asas e caixas-pretas em histórias que qualquer passageiro conseguia entender. Criador do Aviões e Músicas, Lito enfrentava a rara e progressiva doença de Creutzfeldt-Jakob e partiu no dia 1º de outubro, deixando esposa, filho e uma multidão de admiradores. Durante a pandemia, quando o mundo parecia um aeroporto fechado, com a humanidade presa na sala de embarque do medo, o canal de Lito me ajudou a enfrentar o isolamento. Enquanto a Covid fechava portas, ele abria janelas para o céu; enquanto o silêncio pesava dentro de casa, seus vídeos chegavam como turbinas de curiosidade e companhia. Por isso, hoje não cabe piada nessa parte da viagem. Cabe gratidão. Meus sentimentos à família de Lito Sousa. Que Deus o receba de braços abertos e que, como escreveu sua esposa Mila, seja apenas um “até o próximo voo”. Mas o jornal não conhece luto prolongado: seca uma lágrima com uma mão e, com a outra, já empurra a política para o palco. Em Sergipe, o tabuleiro eleitoral virou quase uma dança das cadeiras com trilha de suspense: Emanuel Cacho desistiu da candidatura ao governo e anunciou apoio a Valmir de Francisquinho; Ricardo Marques, depois de ficar fora da disputa, também declarou apoio a Valmir. A política sergipana, minha gente, parece ônibus em horário de pico: uns descem, outros mudam de lugar e, faltando poucos metros para o ponto final, ainda tem gente perguntando quem vai sentado na janela! E como eleição brasileira aparentemente não consegue mais espirrar sem alguém do outro lado do planeta procurar um lenço, Donald Trump resolveu colocar os olhos no Brasil. Questionado sobre o pleito, disse estar acompanhando tudo “muito de perto”, classificou a eleição como “muito importante” e não declarou apoio a nenhum candidato naquele momento. O primeiro turno esta marcado para domingo, 4 de outubro. Pronto! Bastou isso para a política ganhar passaporte, carimbo e escala internacional. O Brasil virou aquele vizinho cuja discussão na varanda é tão animada que até quem mora três ruas depois abre a janela para escutar. E assim foi o primeiro dia de outubro: começou com uma aeronave simbólica pousando pela última vez e terminou com políticos trocando rotas, apoios e coordenadas enquanto olhos estrangeiros observavam o nosso espaço aéreo eleitoral. A vida tem dessas ironias: alguns passam décadas ensinando como os aviões permanecem no céu; outros passam a vida tentando descobrir como permanecer no poder. Lito nos ensinou que nenhuma aeronave desafia a gravidade sem conhecimento, responsabilidade e equilíbrio. Talvez a política também pudesse assistir a algumas aulas de Aviões e Músicas. Afinal, quando falta equilíbrio, até quem pensa estar voando alto corre o risco de descobrir, da pior maneira, que a gravidade não aceita discurso de campanha. Descanse em paz, Lito. Um grande abraço de seus admiradores (as) e até o próximo voo.

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