Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de setembro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de setembro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
O dia 21 de setembro de 2026 acordou com Sergipe parecendo uma sala de aula depois do recreio: tinha coisa demais fora do lugar. O TRE-SE saiu pelas ruas da Grande Aracaju com olhos de águia, fita métrica imaginária e disposição de fiscal que tomou café reforçado, recolhendo 174 wind banners espalhados entre esquinas, semáforos e faixas de pedestres. Era tanta placa querendo aparecer que, se deixassem mais alguns dias, talvez até os postes pedissem direito de imagem. A propaganda eleitoral parecia ter aprendido botânica: brotava na Atalaia, florescia na Coroa do Meio, criava raízes no Centro e quase fazia fotossíntese no Siqueira Campos. Mas a democracia também precisa de calçada para o cidadão passar sem disputar espaço com um candidato de dois metros de altura sorrindo como quem acabou de descobrir a fórmula da felicidade nacional. Enquanto uns brigavam por centímetros de calçada, Daniel Klabin mostrava que o tempo também sabe fazer fortuna: aos 97 anos tornou-se o bilionário mais velho do Brasil, com patrimônio estimado em R$ 1,6 bilhão. Noventa e sete anos! Há gente que nessa idade procura os óculos em cima da própria cabeça; ele aparece na lista da Forbes. É a prova de que o calendário envelhece todo mundo, mas a conta bancária de alguns parece tomar vitamina, fazer academia e dormir oito horas por noite. E, atravessando o oceano, Lula encontrou o prefeito de Nova York nos Estados Unidos e os dois trocaram camisas de futebol, porque a diplomacia internacional também precisa de um pouco de vestiário: entre reuniões, discursos e protocolos, uma camisa entra em campo para lembrar que até a política, de vez em quando, troca o paletó pela arquibancada. No fim, a segunda deixou uma fotografia curiosa do mundo: banners sendo retirados das ruas, bilhões sobrevivendo às décadas e autoridades trocando camisas como torcedores depois do apito final. A vida é mesmo esse estádio gigantesco onde uns disputam espaço na calçada, outros acumulam cifras capazes de fazer a calculadora pedir licença médica, e nós, cidadãos comuns, seguimos na arquibancada do cotidiano, tentando descobrir se o juiz marcou falta, se o jogo está valendo e, principalmente, quem foi que colocou tanta propaganda justamente onde a gente precisava atravessar a rua.