Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de setembro de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

A vida é uma peça de teatro: abre-se a cortina, ajeita-se o cenário, o cidadão compra a pipoca — quando sobra dinheiro — e vamos para as notícias! Nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, o espetáculo começou na Grande Aracaju com uma cifra tão grande que precisaria entrar no palco de caminhão: R$ 155 milhões em suspeitas de compensações tributárias irregulares. Polícia Federal e Receita Federal bateram às portas em Aracaju e Barra dos Coqueiros, enquanto a Operação Compensações tenta descobrir se certos números foram tratados como massa de pastel: estica daqui, recheia dali e vê se ninguém percebe. São investigados pedidos com dados falsos ou incorretos feitos em nome de municípios de Sergipe e de outros estados. Cento e cinquenta e cinco milhões! É tanto zero que a calculadora olha, suspira e pede férias. Enquanto o trabalhador confere até os centavos do cafezinho, há suspeitas de que alguém resolveu brincar de esconde-esconde com milhões — e, nesse jogo, quem quase sempre acaba contando até dez é o contribuinte. Mas o teatro humano não vive só de impostos: a Meta apresentou novos óculos inteligentes, inclusive uma versão sem câmera depois das reclamações sobre gravações sem consentimento. Eis o progresso caminhando de óculos escuros! Primeiro inventamos uma lente capaz de filmar discretamente; depois percebemos que talvez as pessoas não gostassem de virar figurantes involuntárias da vida alheia. Agora os óculos atendem ligações, tocam música e podcasts. Daqui a pouco talvez também olhem para a conta bancária e digam: “Meu amigo, melhor fechar os olhos”. E, como se o roteiro já não estivesse futurista o suficiente, os líderes da inteligência artificial foram parar no Conselho de Segurança da ONU para discutir os riscos da própria tecnologia. Representantes da OpenAI, Anthropic e Hugging Face falaram de controle, responsabilidade e segurança, porque a humanidade conseguiu criar máquinas tão poderosas que agora se reúne para perguntar, com aquela serenidade de quem deixou o feijão no fogo: “Será que isso pode dar problema?” A IA parece aquele filho que aprendeu rápido demais: ontem perguntava onde ficava o botão, hoje talvez queira saber quem manda na casa. E no fim sobra a velha reflexão: tecnologia sem ética é foguete sem volante, dinheiro público sem fiscalização é torneira aberta e sociedade sem responsabilidade vira plateia de uma comédia que termina em tragédia. A vida continua sendo essa peça maluca em que uns contam milhões, outros fabricam óculos que escutam, máquinas aprendem a pensar e nós seguimos tentando descobrir onde foi parar o manual de instruções da humanidade. Fechem-se as cortinas… porque amanhã tem outro ato — e, conhecendo o mundo, provavelmente o roteiro já vem com plot twist, boleto e atualização de software.

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