Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de setembro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de setembro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
O domingo, 20 de setembro de 2026, acordou com o planeta parecendo uma grande quadra onde cada um jogava uma partida diferente. No Maracanãzinho, o Brasil olhou para a Argentina por cima da rede, ajeitou a camisa e venceu por 3 sets a 0, carimbando antecipadamente o passaporte para Los Angeles 2028. Darlan virou uma espécie de martelo com CPF: batia na bola e parecia querer enterrá-la até no estacionamento. Foram 25/20, 25/23 e 25/20, numa manhã em que a torcida gritou tão alto que, se houvesse janela no teto do ginásio, até os pombos pediriam tempo técnico. Rivalidade à parte, foi esporte bonito: suor, disciplina e talento mostrando que algumas batalhas ficam muito melhores quando acontecem com uma bola, uma rede e um placar, e não com ódio.
Mas enquanto uns saltavam para fazer ponto, em Neópolis havia quem tivesse descido vários degraus na escada da humanidade. Uma denúncia levou a Polícia Militar ao povoado Fazendinha, onde uma rinha de galos foi encerrada e um homem acabou preso sob suspeita de maus-tratos. Quando a polícia chegou, parte do público correu para a mata carregando as aves. Imagine a cena: sujeito fugindo pelo mato com galo no braço como se disputasse uma modalidade olímpica chamada “revezamento da vergonha”. É curioso como certos seres humanos gostam de se declarar racionais e, cinco minutos depois, colocam animais para brigar por diversão. O galo, que deveria cantar anunciando o amanhecer, acaba obrigado a participar da madrugada moral de gente que confunde crueldade com espetáculo.
E, enquanto alguns corriam da polícia, um britânico continua caminhando há quase três décadas simplesmente para voltar para casa. Karl Bushby saiu do Chile em 1998, aos 29 anos, imaginando que sua aventura duraria cerca de 12 anos. A vida ouviu a previsão, gargalhou com a delicadeza de um trovão e respondeu: “segure meu calendário”. Aos 57 anos, depois de mais de 48 mil quilômetros, países, fronteiras, crises, vistos, pandemia, frio, calor e até uma travessia a nado pelo mar Cáspio, ele se aproxima da Inglaterra. Como não conseguiu autorização para atravessar um túnel de serviço do Eurotúnel, cogita nadar o Canal da Mancha. Sim, leitor: depois de andar quase o equivalente a dar uma volta inteira no planeta, ainda falta água no caminho. Há gente que reclama porque o controle remoto caiu do outro lado do sofá.
Talvez essas três histórias contem muito sobre nós. Há quem salte para vencer, quem machuque por diversão e quem caminhe durante 28 anos por uma promessa. A vida é essa estrada meio maluca, com rede de vôlei, estrada de terra, galos assustados, carrinho de acampamento e sonhos teimosos. No fim, talvez a grande vitória não seja chegar primeiro, mas continuar caminhando sem perder aquilo que ainda nos torna humanos. Porque medalhas brilham, notícias passam e calendários envelhecem — mas coragem, respeito e compaixão continuam sendo os únicos troféus que o tempo não consegue enferrujar.