Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de setembro de 2026





Por Antonio Glauber Santana Ferreira

O domingo, 27 de setembro de 2026, acordou com o mundo parecendo uma panela de pressão esquecida no fogo: o mar avançando, as apostas levando cartão vermelho e a guerra tentando até derrubar o sinal do celular. Em Estância, na belíssima Ponta do Saco, a maré alta resolveu mostrar que não conhece placa de “PARE”, semáforo nem secretário de obras. Veio com sua língua salgada, lambeu a areia, mordeu o asfalto e arrancou um pedaço da pista como quem quebra biscoito no café. Resultado: acesso interditado, uma casa parcialmente destruída e a natureza lembrando, com a delicadeza de um elefante entrando numa loja de porcelana, que o oceano não lê escritura, não paga IPTU e muito menos pede licença para avançar. O mar, quando perde a paciência, vira engenheiro de demolição sem diploma e ainda trabalha de graça! Enquanto isso, o Ministério da Justiça derrubou 506 sites de apostas ilegais e pediu ao Telegram o bloqueio de 43 canais e perfis. Foi uma verdadeira faxina digital: vassoura num cassino, rodo na roleta e pano molhado no sonho do “fique milionário antes do almoço”. Porque a propaganda da aposta promete um iate, mas muitas vezes entrega um boleto; promete champanhe, mas deixa o apostador tomando água da torneira e olhando para o extrato bancário como quem contempla uma tragédia grega. E, quando parecia que o domingo já tinha usado todo o estoque de absurdo, a guerra mostrou que sempre guarda uma caixa extra no depósito: a Rússia atacou a sede da Kyivstar, maior operadora de telefonia móvel da Ucrânia, atingindo também infraestrutura de comunicação e data centers. É a guerra moderna, essa criatura sombria que já não derruba apenas pontes e paredes — tenta silenciar antenas, servidores, mensagens e vozes. No fundo, as três notícias conversam entre si: o mar invade a estrada, a aposta invade a esperança e a guerra invade a comunicação. Tudo parece correr para ocupar algum espaço que deveria pertencer à segurança, à prudência e à paz. Talvez nosso tempo esteja precisando aprender uma lição simples: há ondas que exigem barreiras, vícios que exigem limites e guerras que deveriam encontrar, antes de qualquer míssil, a porta fechada da consciência humana. Porque reconstruir asfalto é difícil, recuperar dinheiro perdido dói, mas reconstruir vidas e esperanças depois que a violência passa… ah, isso nem o melhor engenheiro do mundo consegue fazer sem deixar cicatriz.

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