Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de setembro de 2026


Por Antonio Glauber Santana Ferreira

As notícias da terça-feira, 29 de setembro, entraram em cena como uma sessão de cinema daquelas em que ninguém sabe se comprou ingresso para comédia, drama, suspense ou filme de catástrofe. Na TV Sergipe, o debate para o governo abriu as cortinas e quatro candidatos ocuparam o palco: Dr. Helton, Emanuel Cacho, Ricardo Marques e Valmir de Francisquinho. Fábio não apareceu, e a cadeira vazia quase ganhou papel de protagonista — faltou apenas colocar um microfone diante dela e perguntar: “Excelentíssima cadeira, qual a sua proposta para Sergipe?”. Entre perguntas, respostas e farpas voando feito pipoca estourando fora da panela, surgiram dois personagens que o povo conhece sem precisar de santinho: a falta d’água e a greve dos professores. A água, coitada, parece candidata eterna à aparição: promete chegar, ensaia no cano e, em alguns lugares, simplesmente falta à estreia. Já o professor continua naquela velha superprodução brasileira chamada “Valorize-me no discurso e esqueça-me no contracheque”, filme tão repetido que já merecia versão restaurada em 4K. Enquanto isso, as eleições ganharam um novo figurante tecnológico: os óculos inteligentes. Celular na cabine não pode, câmera escondida também não, mas agora até os óculos resolveram fazer curso de espionagem! Antigamente bastava enxergar a urna; hoje há óculos que filmam, obedecem voz e quase só faltam perguntar: “Deseja compartilhar seu voto nas redes sociais?”. A democracia, que já precisava ficar de olho em tanta coisa, agora precisa ficar de olho nos olhos — e talvez nos óculos dos olhos também. Do outro lado do planeta, porém, o filme ficou pesado: tropas dos Estados Unidos se preparam para deixar o Iraque depois de uma história militar iniciada em 2003, interrompida em 2011 e retomada em 2014. Vinte e tantos anos cabem numa manchete, mas não cabem na memória de quem viveu guerra, medo e perda. Soldados podem partir; as cicatrizes, infelizmente, não embarcam no mesmo avião. E assim terminou a sessão desta terça-feira: em Sergipe, candidatos disputando palavras; na cabine eleitoral, tecnologia tentando esconder-se atrás das lentes; no Iraque, uma longa presença militar procurando a porta de saída. O mundo continua sendo esse cinema gigantesco onde alguns brigam pelo papel principal, outros vendem pipoca e o povo, sentado na plateia, só deseja que o roteiro melhore — porque pagar ingresso caro para assistir aos mesmos problemas de sempre já está virando abuso de bilheteria.

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