Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de setembro de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

O dia 08 de setembro de 2026 abriu a janela, espreguiçou-se e resolveu servir ao brasileiro um café reforçado de trânsito, Justiça e tensão internacional — porque tranquilidade, pelo visto, anda em falta até no estoque do universo. Em Aracaju, os radares de velocidade entraram em consulta médica: aferição do Inmetro a partir das 23 horas, com bloqueios em pontos da cidade. Até radar precisa fazer check-up! Enquanto isso, o motorista aracajuano vai exercitando aquela modalidade esportiva já tradicional: “descubra a rota alternativa antes que a gasolina acabe”. Na Beira Mar, quem pensa que vai apenas admirar a paisagem poderá acabar conhecendo ruas que nem sabia que existiam. O GPS, coitado, provavelmente dirá: “recalculando a rota”, pela décima vez, com a mesma paciência de uma professora corrigindo prova depois de explicar o assunto três vezes. E radar é uma criatura curiosa: não dorme, não reclama do salário, não toma café e ainda consegue enxergar justamente quando o motorista resolve apertar o acelerador como se estivesse disputando vaga na Fórmula 1 da Avenida Beira Mar.

Enquanto os radares eram examinados, a política e a Justiça brasileira ofereciam mais um episódio daquele seriado nacional que parece ter temporadas infinitas. O ministro André Mendonça determinou a soltura do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, com uso de tornozeleira eletrônica, após ele ter sido indiciado pela Polícia Federal em investigação sobre supostos desvios envolvendo aposentadorias. E aí o aposentado brasileiro olha para o próprio contracheque, ajeita os óculos e pergunta: “Minha aposentadoria também pode ser solta?” Porque neste país há momentos em que a realidade escreve piadas tão absurdas que o humorista fica desempregado. A tornozeleira, por sua vez, vai ganhando importância na República: daqui a pouco terá sindicato, plano de carreira e décimo terceiro.

E quando pensamos que o planeta já tinha gastado sua cota diária de confusão, eis que o Irã anunciou a captura de um drone submarino americano de três toneladas, avaliado em cerca de R$ 12 milhões, no Estreito de Ormuz. Um verdadeiro peixe eletrônico milionário! Segundo uma fonte americana, o equipamento já apresentava problemas. Até drone de milhões dá defeito; imagine aquele ventilador de casa que a gente conserta dando duas pancadinhas na lateral! O mundo parece um imenso tabuleiro de xadrez onde as potências movimentam submarinos, drones, navios e ameaças, enquanto a humanidade, pequenininha na arquibancada, torce para ninguém resolver virar a mesa.

Assim terminou o 08 de setembro: Aracaju medindo a velocidade dos carros, Brasília medindo os limites da Justiça e o Oriente Médio medindo a temperatura de uma tensão que nunca esfria. No fundo, talvez estejamos precisando de um radar diferente — um radar capaz de multar a corrupção, reduzir a velocidade da intolerância, detectar o excesso de ganância e instalar uma lombada bem alta na estrada das guerras. Porque o mundo anda depressa demais para quem ainda sonha com paz, justiça e dignidade. E, nesse trânsito maluco chamado vida, talvez a maior infração seja justamente passar pela dor dos outros acima da velocidade permitida pela humanidade.

Postagens mais visitadas deste blog

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 10 de Dezembro de 2025

Crônica – O Reino dos Decibéis e o Silêncio Exilado

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de dezembro de 2025