Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de setembro de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

O domingo, 13 de setembro de 2026, abriu o jornal como quem abre uma janela e recebe de uma só vez vento, lágrima, música, política e até avião dando volta no planeta. Começamos com uma notícia triste: morreu aos 70 anos o ex-deputado estadual Pastor Antônio dos Santos, filho de Japaratuba, vereador de Aracaju e deputado estadual por quatro mandatos. A política perde uma de suas antigas vozes e Japaratuba vê partir um filho de sua terra. Nessas horas, até o relógio parece andar de meias para não fazer barulho. A Alese decretou três dias de luto, enquanto familiares, amigos e admiradores se despedem. Que Deus conforte todos os corações, porque diante da morte não existe palanque, partido nem microfone: somos todos passageiros esperando nossa estação.

E falando em política, Brasília resolveu provar novamente que novela mexicana é programa infantil perto da vida institucional brasileira. Ex-ministros, juristas, empresários e representantes da sociedade civil assinaram uma carta de apoio ao presidente do STF, Edson Fachin, em meio à crise na Corte. O manifesto fala na “mais grave crise” da história do Supremo. Minha gente, o Brasil é tão especialista em crise que, se crise desse milha aérea, já estaríamos todos dando volta ao mundo de primeira classe! O Supremo virou panela de pressão: apita de um lado, chia do outro e o cidadão olha da cozinha perguntando se desliga o fogo ou chama o Corpo de Bombeiros. Democracia, porém, não combina com tapete levantado para esconder poeira. Instituição forte é aquela que encara o espelho, limpa a casa e não culpa o espelho pela sujeira.

Enquanto Brasília voava baixo, Alex Frota, o “Alex Bacana”, preferiu voar alto — muito alto! O cearense atravessou sozinho os cinco continentes em um avião monomotor experimental e retornou ao Brasil com passagem por João Pessoa. O homem deu a volta ao mundo num monomotor. É preciso coragem para olhar um oceano pela frente e dizer: “vou ali e já volto”. Alex transformou o céu em estrada, as nuvens em placas de sinalização e mostrou que, quando o sonho ganha asas, até o impossível precisa abrir espaço para o pouso.

No Rio de Janeiro, o último dia do Rock in Rio colocou as caixas de som para trabalhar mais que boleto em fim de mês. Twenty One Pilots, Zara Larsson, Halsey, Marina Sena, Céu, Ivete Sangalo, Joelma e Viviane Batidão ajudaram a transformar a cidade numa gigantesca vitamina musical. Tinha rock, pop, dança, luz e provavelmente alguém jurando que “só ia assistir um show” enquanto voltava para casa sem voz, sem pernas e com o aplicativo do banco perguntando: “tem certeza que foi você que fez essas compras?”. Música é assim: sacode o corpo, penteia a alma e, por algumas horas, faz a tristeza esquecer onde estacionou.

E lá na Suécia, onde até o frio parece preencher formulário antes de chegar, as eleições apontavam uma disputa apertada, com avanço da oposição de centro-esquerda e perda de força da extrema direita. Democracia é esse bicho inquieto: muda de humor, troca de direção e lembra aos políticos que voto não é escritura definitiva de propriedade. O eleitor empresta a cadeira — e pode pedir de volta.

Assim terminou este 13 de setembro: entre despedidas, tribunais em turbulência, aviões atravessando continentes, guitarras berrando liberdade e urnas lembrando que nenhum poder é eterno. O mundo continua girando, às vezes como poesia, às vezes como liquidificador sem tampa. E nós seguimos tentando rir para não chorar, refletir para não enlouquecer e acreditar que, apesar das tempestades, sempre haverá algum piloto teimoso procurando no horizonte uma pista onde possa pousar a esperança.

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