Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de setembro de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de setembro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
O dia 06 de setembro de 2026 acordou dando chute alto na monotonia, desviando de cones em Aracaju e tropeçando nas pesquisas dos Estados Unidos. Lá em Muju, na Coreia do Sul, Maria Clara Pacheco resolveu explicar ao mundo, sem precisar de PowerPoint, que brasileiro também sabe voar — e voar dando chute! A jovem derrotou Yu-Jin Kim por dois rounds a zero e conquistou o ouro no Grand Prix de taekwondo, transformando o pódio numa pequena extensão verde-amarela. Foi chute daqui, esquiva dali, e quando a adversária percebeu, Maria Clara já estava praticamente conversando com a medalha: “Pode vir, minha filha, que hoje você dorme no Brasil!” Henrique Marques também fez bonito e trouxe o bronze na categoria até 80 quilos. Num país acostumado a levar pancada de imposto, boleto e preço de supermercado, é reconfortante descobrir que, pelo menos no esporte, a gente também sabe distribuir umas pancadas — dentro das regras, evidentemente, porque fora delas já tem gente demais praticando modalidades olímpicas de empurrar problema para o cidadão.
Enquanto isso, Aracaju começou a se preparar para o 7 de Setembro e o trânsito recebeu a ordem de ficar em posição de sentido. Avenida Barão de Maruim e ruas próximas terão interdições das 5h30 às 18h, e o motorista aracajuano deverá praticar aquele esporte nacional chamado “Onde foi que fecharam agora?”. Será desfile de um lado, buzina do outro, motorista procurando desvio como quem procura tesouro enterrado, GPS tendo crise existencial e dizendo “recalculando rota” tantas vezes que talvez peça férias. A independência será comemorada com bandeiras ao vento, mas alguns condutores provavelmente desejarão independência mesmo é dos engarrafamentos. Porque no Brasil até a liberdade, às vezes, precisa esperar o trânsito andar.
E atravessando o oceano, Donald Trump viu sua aprovação cair para 33%, segundo a pesquisa citada, enquanto boa parte dos eleitores demonstra insatisfação com a economia e o custo de vida. A popularidade desceu de elevador sem apertar o botão do térreo: parece ter escolhido diretamente o subsolo. Quase dois terços dos entrevistados consideram que a economia americana segue na direção errada, e 57% dizem estar financeiramente piores. No fim das contas, presidente pode discursar em palanque, televisão e rede social, mas existe um eleitor silencioso e implacável chamado carteira. Quando ela emagrece, não adianta colocar filtro bonito na fotografia da economia: o bolso conhece a verdade pelo tato. Assim terminou o domingo: Maria Clara subindo ao pódio, o trânsito preparando seus nós e a aprovação de Trump descendo a ladeira. A vida, essa cronista debochada, parece gostar de contrastes: enquanto uns sobem com talento, outros descem nas pesquisas, e nós seguimos no meio dessa avenida chamada realidade, desviando dos buracos, rindo para não chorar e torcendo para que, no próximo cruzamento, o sinal da esperança finalmente fique verde.