Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de setembro de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

O dia 03 de setembro de 2026 acordou musculoso demais para uma quinta-feira comum. Em Aracaju, a Polícia Civil fechou um laboratório clandestino de anabolizantes na Zona Sul e prendeu um homem apontado como principal investigado num enredo que misturava extorsão, agiotagem e lavagem de dinheiro — uma espécie de academia do crime onde, pelo visto, até a ilegalidade queria ficar com o bíceps definido. Era tanto negócio suspeito que faltava apenas o criminoso perguntar: “Vai querer parcelar a dívida em dez vezes ou prefere pagar no supino?”. Dez mandados de busca foram cumpridos, contas tiveram valores bloqueados e a Justiça resolveu colocar o dinheiro de alguns investigados para fazer aquilo que muito brasileiro gostaria de fazer depois de pagar os boletos: ficar completamente parado.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, a Holanda resolveu mexer no próprio cofre. Toneladas de ouro foram retiradas dos Estados Unidos e enviadas para Londres, numa operação motivada pelo medo da chamada “instabilidade geopolítica”. Traduzindo do economês para o português da feira: até país rico está escondendo o pote de biscoito porque desconfia que a sala pode virar confusão. O ouro, coitado, viajou mais do que muito turista: saiu da América do Norte, pegou sua mala imaginária e foi morar perto do Big Ben. Deve ter pensado: “Se o mundo enlouquecer, pelo menos estarei tomando chá às cinco”.

E assim caminhou o planeta naquele 03 de setembro: em Aracaju, gente querendo fabricar músculos clandestinamente; na Europa, governo fortalecendo os músculos financeiros. Uns levantando peso, outros levantando reservas. No fim das contas, talvez a maior fraqueza do nosso tempo seja justamente essa necessidade desesperada de parecer forte. O criminoso busca poder no dinheiro, as nações procuram segurança no ouro e o cidadão comum procura apenas forças para chegar ao fim do mês sem precisar vender o sofá, a geladeira e, dependendo da conta de energia, um dos rins metafóricos.

O mundo anda parecendo uma academia aberta vinte e quatro horas: todo mundo exibindo força, ninguém querendo admitir cansaço. Mas músculo nenhum substitui caráter, cofre algum compra paz e tonelada nenhuma de ouro consegue pesar mais do que uma consciência tranquila. No grande balanço da história, há fortunas que brilham como ouro e atitudes que enferrujam como lata velha. E enquanto os poderosos transferem bilhões e os espertalhões inventam atalhos, o povo continua levantando o peso mais pesado de todos: a própria vida. E olha… sem anabolizante!

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