Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de setembro de 2026


Por Antonio Glauber Santana Ferreira

O dia 22 de setembro de 2026 amanheceu no Brasil com aquela velha habilidade nacional de misturar suspense policial, boleto vencido e discurso diplomático no mesmo café da manhã. Em Aracaju, a Polícia Federal bateu à porta durante a Operação Lastro, investigando suspeitas de falsidade ideológica e corrupção eleitoral, e encontrou R$ 20 mil em espécie. Dinheiro vivo, como dizem — tão vivo que agora terá de explicar à polícia onde nasceu, por onde passeou e quem eram seus melhores amigos. O valor será analisado para saber se possui relação com os fatos investigados, porque, em época eleitoral, até nota de cem reais parece andar de óculos escuros, olhando para os lados e dizendo: “não me envolvam nisso!”. Enquanto isso, Brasília abriu a calculadora e descobriu que a economia resolveu andar com o freio de mão puxado: a Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a previsão de crescimento. A culpa passa também pelo peso das dívidas das famílias, porque o brasileiro está fazendo uma modalidade esportiva ainda não reconhecida pelas Olimpíadas: salto entre boletos, corrida contra os juros e levantamento de cartão de crédito. O salário entra pela porta da frente e, antes de tirar os sapatos, já sai pela janela abraçado com a prestação. Pelo menos a previsão de inflação caiu um pouco — notícia que consola quase tanto quanto receber desconto de cinquenta centavos depois de gastar duzentos reais no supermercado. E, enquanto o bolso nacional fazia dieta forçada, Lula subiu à tribuna da ONU, em Nova York, e declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, criticando interferências e tentações hegemônicas na América Latina. A frase atravessou o salão como trovão diplomático: afinal, um país continental realmente daria trabalho para caber num quintal — teria de derrubar o muro, arrancar o pé de manga e pedir licença ao cachorro. Entre investigações, dívidas e discursos internacionais, o Brasil terminou mais um dia sendo esse personagem gigantesco e contraditório: às vezes poeta, às vezes devedor, às vezes delegado de si mesmo. Seguimos caminhando, tropeçando nos boletos, desconfiando das malas, discutindo soberania e tentando preservar uma coisa que nenhuma crise deveria confiscar: a esperança. Porque o povo brasileiro pode até estar com o bolso amassado, mas ainda carrega no peito um coração teimoso que insiste em acreditar que amanhã, entre uma conta e outra, haverá espaço para um país mais justo, mais transparente e, quem sabe, com menos sustos antes do café.

Postagens mais visitadas deste blog

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 10 de Dezembro de 2025

Crônica – O Reino dos Decibéis e o Silêncio Exilado

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de dezembro de 2025