Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de setembro de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

Abram o jornal e vamos para as notícias, respeitável público, porque o dia 16 de setembro de 2026 chegou carregando uma mala tão pesada que até a realidade pediu ajuda para subir a escada! Em Nossa Senhora das Dores, dois homens foram presos em flagrante após um saque de R$ 500 mil em espécie, em uma investigação sobre suspeitas de peculato e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que parte dos valores tenha relação com recursos do Fundo Nacional de Saúde. Meio milhão em dinheiro vivo! É tanta nota junta que até a carteira pede aposentadoria. Enquanto muita gente conta moeda para comprar pão, alguém aparentemente resolveu brincar de Banco Imobiliário com dinheiro que, segundo a investigação, pode ter saído dos cofres públicos. Dinheiro da saúde deveria comprar remédio, equipamentos e esperança — não ganhar pernas, colocar óculos escuros e sair passeando dentro de uma mala. A Justiça agora fará seu trabalho, porque suspeita não é sentença; mas dinheiro público exige lupa, holofote e olhos maiores que os de coruja em noite de lua cheia.

E falando em correr, prepare o pé direito: chegou o radar de velocidade média. O sistema será testado em oito estados e calcula quanto tempo o veículo leva entre dois pontos. Nesta fase, não haverá multas. Ainda! Agora não adianta passar pelo radar a vinte quilômetros por hora com a cara de santo da procissão e, cinquenta metros depois, acelerar como se estivesse disputando vaga na Fórmula 1. O radar virou professor de matemática: distância dividida pelo tempo, meu filho! Motorista apressado vai descobrir que até o asfalto sabe fazer conta. Daqui a pouco o radar olha para o carro e diz: “Eu vi você correndo lá atrás, não venha fazer cara de inocente agora!” Talvez seja justamente disso que precisamos: menos pressa, porque nenhuma reunião vale uma vida e nenhum acelerador deveria ser mais forte que o abraço de quem espera alguém voltar para casa.

Mas o riso do dia silencia quando atravessamos o oceano. No Sudão, o desabamento de uma mina artesanal de ouro matou 82 pessoas, deixou dezenas de feridos e ainda havia temor de mais vítimas sob os escombros. Ali, o ouro perdeu completamente o brilho. O metal que durante séculos fez reis levantarem palácios tornou-se testemunha de uma tragédia enterrada na poeira. Homens desceram à terra procurando riqueza e muitas famílias receberam de volta apenas o vazio. Que ironia cruel: cavamos o chão atrás do ouro e, às vezes, esquecemos que o verdadeiro tesouro respira, sorri, abraça e volta para casa no fim do dia. Quando uma vida vale menos que alguns gramas de metal, alguma coisa dentro da humanidade também desabou.

E assim terminou a quarta-feira: dinheiro correndo, carros correndo e gente correndo atrás de ouro. Talvez nossa época precise aprender justamente o contrário: parar um pouco. Parar para fiscalizar, parar para respeitar a vida, parar para perguntar para onde estamos indo. Porque o mundo anda tão acelerado que qualquer dia o próprio calendário leva uma multa por excesso de velocidade. E amanhã? Amanhã abriremos novamente as cortinas deste grande teatro chamado humanidade, onde às vezes a comédia nos faz rir, a tragédia nos faz chorar e a esperança, teimosa como mato nascendo no concreto, continua dizendo baixinho: ainda dá tempo de fazer melhor.

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