Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de setembro de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

A sexta-feira, 11 de setembro de 2026, acordou com o noticiário carregando uma mala tão pesada que até o calendário pediu ajuda para subir a escada. Em Sergipe, os trabalhadores dos Correios aderiram à greve nacional por tempo indeterminado, e pronto: a correspondência ganhou direito de cruzar os braços antes mesmo de ter braços. Cartas, encomendas e boletos ficaram olhando uns para os outros nos centros de distribuição como passageiros de rodoviária quando anunciam: “o ônibus atrasará por tempo indeterminado”. E brasileiro sabe que “tempo indeterminado” é primo de “só mais cinco minutinhos”, expressão capaz de atravessar três governos, quatro carnavais e sete parcelas do cartão. Os trabalhadores reivindicam manutenção do plano de saúde, melhores condições relacionadas às férias e ao repouso remunerado, enquanto os Correios acionam seu Plano de Continuidade de Negócios. Nome bonito! Parece título de filme: “Missão Impossível 12 — Entregar a Encomenda Antes do Natal”. No Brasil, até a crise vem acompanhada de sigla, nota oficial e uma frase dizendo que “os impactos serão minimizados”; só falta o impacto receber senha e aguardar ser chamado no painel.

Enquanto isso, o Ministério da Defesa publicou novas regras para garantir autonomia, funcionamento e validade nacional dos cursos superiores militares junto ao MEC. Agora o diploma militar marchará em continência diante da burocracia acadêmica: “Documento, sentido! Reconhecimento, descansar!” A Academia Militar das Agulhas Negras, a Escola Naval e outras instituições seguem formando oficiais, mas, como tudo neste país tropical onde até o carimbo parece ter pós-graduação, é preciso garantir que papel, assinatura, regulamento e reconhecimento caminhem em formação cerrada. Porque no Brasil você pode comandar tropas, navegar oceanos e pilotar aeronaves, mas, se faltar um documento, aparece uma repartição perguntando: “Trouxe cópia autenticada?”

E então o riso diminui, a ironia recolhe o chapéu e a sexta-feira abre uma janela dolorosa para a memória: os Estados Unidos marcaram os 25 anos dos atentados de 11 de Setembro. Nova York e o Pentágono voltaram a ouvir os nomes, as lembranças e o silêncio de quase três mil vidas arrancadas naquele dia de 2001. Há tragédias diante das quais até as palavras caminham descalças. O Memorial onde estavam as Torres Gêmeas parece dizer ao mundo que concreto pode cair, aço pode se dobrar, cidades podem sangrar, mas a memória humana teima em permanecer de pé. Vinte e cinco anos depois, o calendário virou muitas páginas, presidentes passaram, guerras começaram e terminaram, tecnologias mudaram, o mundo ficou mais rápido — mas certas dores não envelhecem; apenas aprendem a morar conosco. Assim terminou o 11 de setembro de 2026: com trabalhadores lutando por direitos, diplomas procurando reconhecimento e a humanidade olhando para uma cicatriz de 25 anos. Porque o noticiário é essa estranha feira da vida: numa banca vende esperança, na outra preocupação, adiante oferece burocracia em promoção e, no fim do corredor, coloca diante de nós a memória para lembrar que, no meio de tanta pressa, greve, papelada e discursos, ainda somos frágeis criaturas tentando entregar ao futuro uma encomenda chamada paz — e tomara que, dessa vez, ela não chegue atrasada.

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