Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de setembro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de setembro de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

O dia 18 de setembro amanheceu com o noticiário parecendo panela de pressão esquecida no fogo: chiando, tremendo e ameaçando levantar a tampa. Em Aracaju, a Operação Pecúnia bateu à porta de uma investigação sobre possíveis fraudes em licitações e contratos públicos, com mandados de busca na capital e em Salgado. E quando aparece a palavra pecúnia, até o dicionário coloca a mão no bolso para conferir se a carteira ainda está lá! A investigação, que começou depois da apreensão de R$ 240 mil em espécie com um gestor público, agora examina contratos, documentos e dados. Um deles, de mais de R$ 1,7 milhão, teria sido assinado poucas horas antes daquela apreensão. Coincidência? A investigação é que deverá responder; afinal, em matéria de dinheiro público, é melhor a verdade chegar de lupa na mão do que a fofoca chegar de motocicleta. A polícia também informou que a empresa investigada acumulou mais de R$ 23 milhões em contratos públicos estaduais entre 2017 e 2026, sendo cerca de 84% ligados à Secretaria Municipal de Educação de Aracaju. A Prefeitura afirmou que não faria novo pronunciamento por considerar o caso desdobramento de investigação anterior. Enquanto isso, o cidadão olha para tantos números e pensa: “Meu Deus, eu sofro para encontrar vinte reais no bolso de uma calça velha e tem contrato público que parece criar zero mais rápido que coelho cria filhote!”

Mas o Brasil também recebeu uma notícia que deveria sacudir consciências mais do que qualquer escândalo: o IBGE revelou que 14,4 milhões de brasileiros viviam com alguma deficiência em 2022, cerca de 7,3% da população. São milhões de histórias que muitas vezes encontram escadas onde deveriam existir rampas, portas fechadas onde deveria haver oportunidade e preconceito sentado confortavelmente na cadeira da ignorância. Inclusão não pode ser enfeite de discurso bonito em cerimônia com ar-condicionado; precisa ter emprego, renda, educação, respeito e dignidade caminhando de mãos dadas.

E, como se a própria Terra quisesse participar do jornal, o Chile tremeu. Um terremoto de magnitude 4,8 atingiu a região onde fica Santiago. A natureza, essa velha senhora sem assessoria de imprensa, simplesmente balançou o chão e lembrou à humanidade que nossos prédios, contratos, vaidades e certezas são frágeis como copo na beirada da mesa.

Assim terminou aquele 18 de setembro: Aracaju remexendo papéis, o IBGE remexendo consciências e o Chile remexendo literalmente o chão. No grande teatro da vida, uns contam milhões, outros contam barreiras e a Terra conta segundos entre um tremor e outro. E nós? Nós seguimos tentando entender esse espetáculo em que, às vezes, a realidade escreve piadas tão absurdas que até o humor pede licença, senta no meio-fio e começa a rir para não chorar.

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