Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de agosto de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de agosto de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
Vamos aos capítulos do dia 13 de agosto de 2026. Saudações de Antonio Glauber! E lá veio a quinta-feira, desfilando pelo calendário como quem não queria confusão, mas carregando nas costas um caminhão de acontecimentos. O mundo, esse velho roteirista que claramente escreve suas histórias depois de tomar três cafés fortes, resolveu misturar cachorros, tarifas, drones, diplomacia e ameaça aérea no mesmo episódio. Se isso fosse novela, alguém já teria gritado: “Autor, tenha piedade do telespectador!”. Mas notícia não tem intervalo comercial para a gente respirar.
Em Nossa Senhora do Socorro, oito filhotes de cachorro foram resgatados pelos bombeiros depois que uma cadela resolveu transformar um buraco próximo a caixas de esgoto em maternidade. Mãe é mãe até no reino canino: se não tem berço, improvisa; se não tem quarto, cava; se não aparece pedreiro, chama a própria pata e começa a obra. A cadela, promovida instantaneamente a engenheira civil, arquiteta, obstetra e síndica do condomínio subterrâneo, cavou seu abrigo, mas os pequenos acabaram precisando da ajuda dos bombeiros. E lá foram os homens acostumados a enfrentar incêndios salvar oito bolinhas de pelo. Num mundo em que tanta gente cava buracos para colocar os outros dentro, conforta saber que ainda existem braços dispostos a entrar no buraco para retirar vidas de lá. Talvez os filhotes nem saibam, mas naquele dia ganharam oito vezes a loteria da existência.
Enquanto isso, Brasília colocou o paletó diplomático, ajeitou a gravata da reciprocidade e olhou para os Estados Unidos como quem diz: “Se você mexer no meu pirão, eu também conheço a farinha”. O governo brasileiro iniciou o processo para analisar medidas de reciprocidade diante das tarifas norte-americanas. Diplomacia internacional é uma espécie de discussão de condomínio com bandeiras, tratados e palavras tão compridas que até o dicionário pede água. Um aumenta tarifa daqui, o outro consulta lei dali, surge Seção 301, Lei nº 15.122/2025, pleito ordinário, enquadramento econômico... e o cidadão, coitado, só quer saber se amanhã o café, a carne, o celular e a prestação da geladeira vão subir. Países brigam usando porcentagens; quem leva o susto, muitas vezes, é o bolso do consumidor, esse pobre animal em extinção que já vive escondido atrás do cartão de crédito.
E quando parecia que o planeta já tinha preenchido sua cota diária de ansiedade, Letônia e Finlândia apareceram olhando para o céu. Drones provocaram alertas, moradores foram orientados a buscar abrigo e áreas do espaço aéreo e da navegação receberam restrições. Antigamente, olhar para o céu era procurar estrela cadente para fazer pedido. Hoje, dependendo do lugar, olha-se para cima para verificar se aquilo piscando é planeta, avião ou uma máquina voadora capaz de transformar a noite em sirene. O Mar Báltico parece ter desaprendido a ser apenas mar: tornou-se tabuleiro onde cada radar é um olho arregalado e cada ruído no céu faz a paz engolir seco.
Que quinta-feira, meus amigos! De um lado, bombeiros retirando filhotes de um buraco; do outro, governos cavando trincheiras comerciais; mais adiante, países procurando abrigo diante de ameaças que voam. Talvez a grande ironia do dia esteja exatamente aí: os cachorrinhos foram resgatados do buraco, enquanto a humanidade continua demonstrando extraordinária competência para cavar os próprios. Entre tarifas, drones e disputas, ainda são oito pequenos cães salvos que nos oferecem a notícia mais poderosa. Porque enquanto os grandes discutem quem manda no mundo, a vida, pequena, frágil e coberta de pelos, continua pedindo apenas uma coisa: que alguém estenda a mão. E talvez seja esse o verdadeiro tratado de paz que ainda precisamos aprender a assinar.