Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de agosto de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de agosto de 2026





Por Antonio Glauber Santana Ferreira

E a terça-feira, 18 de agosto de 2026, chegou como quem tropeça no próprio cadarço, cai numa cratera e, antes de conseguir levantar, vê duas cabras entrando num ônibus nos Estados Unidos. O noticiário, esse roteirista que claramente perdeu o juízo e jogou o bom senso pela janela, resolveu misturar buraco, saudade e bode no transporte coletivo. Só faltou a previsão do tempo anunciar chuva de pastel com caldo de cana.

Em Aracaju, um carro caiu numa cratera entre as ruas Teixeira de Freitas e Ananias Azevedo, no Salgado Filho. A parte dianteira do veículo mergulhou no buraco como se o automóvel tivesse decidido procurar petróleo, água mineral ou, quem sabe, o orçamento perdido da manutenção urbana. Meu amigo, ultimamente dirigir por certas ruas parece prova prática para astronauta: é preciso desviar de buraco, calcular órbita, prever impacto e rezar para São Cristóvão manter os quatro pneus no planeta Terra. A cratera ficou de boca aberta, gulosa, esperando o café da manhã motorizado. E comeu um carro! Daqui a pouco o GPS não dirá mais “vire à direita”; dirá: “em 200 metros, prepare o colete salva-vidas e atualize o seguro”. A cidade merece ruas que sejam caminhos, não armadilhas com CEP.

Mas o riso da terça-feira perdeu a voz diante de duas despedidas dolorosas. O Brasil viu partir Laura Cardoso, aos 98 anos, e Glória Menezes, aos 91. Duas gigantes da teledramaturgia, duas damas que fizeram da arte uma janela por onde milhões de brasileiros aprenderam a rir, sofrer, amar e sonhar. Quando artistas assim partem, parece que a televisão antiga diminui o volume sozinha, o palco apaga uma luz e as cortinas respiram saudade. Laura e Glória não foram apenas atrizes; foram páginas vivas da cultura brasileira. O tempo, esse diretor implacável que nunca aceita pedido para repetir a cena, disse “corta”. Mas a memória respondeu: “Essa história continua!”. Porque grandes artistas não desaparecem — transformam-se em lembrança, aplauso e eternidade. Há pessoas que deixam o palco; outras deixam luz acesa nele.

E quando pensávamos que o planeta havia esgotado sua capacidade de nos surpreender, eis que surgem duas cabras entrando tranquilamente num ônibus em Portland, nos Estados Unidos. Sim, cabras! Talvez estivessem cansadas de andar a pé. Talvez tenham ouvido falar no transporte público sustentável e resolveram colaborar. Entraram como passageiras experientes, provavelmente procurando um assento próximo à janela. Imagino uma delas perguntando: “Esse ônibus passa no pasto central?”. O motorista fechou as portas e depois percebeu que havia duas passageiras sem cartão de transporte, sem passagem e, provavelmente, sem intenção alguma de respeitar o desembarque pela porta traseira. Os passageiros acabaram retirando as cabras. Que falta de hospitalidade! Vai que elas estavam indo para uma entrevista de emprego? Nos Estados Unidos até as cabras parecem preocupadas com mobilidade urbana. E o caso ainda provocou ligações para o serviço de emergência. Imagino a conversa: “911, qual sua emergência?” — “Tem duas cabras no ônibus!” — “Senhor, o senhor bebeu?” — “Não, mas acho que as cabras pegaram a linha errada!”.

E assim terminou mais um capítulo deste planeta que gira como carrossel dirigido por um poeta maluco: em Aracaju, um carro entrou onde não deveria; nos Estados Unidos, duas cabras entraram onde ninguém imaginava; e no coração do Brasil ficaram dois espaços impossíveis de preencher com a partida de Laura Cardoso e Glória Menezes. Entre a gargalhada e a lágrima, seguimos nós, passageiros deste ônibus chamado vida, desviando das crateras, carregando saudades e tentando descobrir em qual parada devemos descer. Que cuidemos melhor das nossas ruas, valorizemos nossos artistas enquanto estão entre nós e, sobretudo, não percamos a capacidade de rir — porque, quando até cabras resolvem pegar ônibus, é sinal de que o mundo ainda consegue transformar o absurdo em poesia. E vamos que vamos, pois amanhã certamente haverá outro buraco, outra notícia, outra saudade e, conhecendo este planeta, talvez até uma galinha chamando Uber.

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