Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de agosto de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de agosto de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
Vamos iniciar a viagem nas notícias. Apertem os cintos, porque o trem da realidade resolveu correr nos trilhos da esperança, da ironia e daquele velho humor brasileiro que ri para não chorar. A primeira estação desembarcou trazendo mais de novecentas vagas de emprego em Sergipe. A esperança apareceu vestida de segunda-feira, penteou os cabelos diante do espelho e saiu distribuindo currículos como quem semeia girassóis. Mas logo surgiu o portal do governo exigindo senha, cadastro, aplicativo, confirmação e mais uma pitada de paciência. Até o currículo olhou para o celular e cochichou: "Será que arrumo um emprego antes de lembrar minha senha?" O desemprego, esse hóspede folgado que insiste em não pagar aluguel, levou um susto ao ver tanta oportunidade batendo à porta. Que venha mais trabalho, porque carteira assinada tem perfume de dignidade e salário tem o dom mágico de fazer até o feijão cantar ópera na panela.
Na segunda parada, a Apple entrou numa batalha judicial com o governo britânico. De um lado, a maçã mordida protegendo seus cofres digitais; do outro, o Estado querendo encontrar a chave do cadeado eletrônico. A criptografia virou um castelo medieval onde os dados usam armaduras invisíveis e as senhas desfilam como cavaleiros. No fim, quem observa tudo é o cidadão, segurando o celular como quem segura um diário secreto, rezando para que sua vida continue sendo apenas dele. Hoje, a privacidade vale mais do que ouro: virou diamante escondido dentro de um cofre trancado por outro cofre.
A última estação trouxe os Correios e sua Postal Saúde carregando um prejuízo tão grande que até a calculadora pediu licença para chorar. O rombo era tão profundo que o cofrinho entrou em depressão financeira e a conta bancária resolveu usar roupa preta em sinal de luto. O dinheiro, esse atleta olímpico da fuga, correu mais rápido que carta com destinatário errado. Enquanto isso, o contribuinte observa o espetáculo com aquele sorriso amarelo, mistura de sarcasmo, espanto e esperança, perguntando se um dia as contas públicas aprenderão a fazer dieta.
E assim segue o Brasil, essa imensa orquestra onde a esperança toca violino, a burocracia insiste no trombone desafinado, a tecnologia rege o concerto, o emprego ensaia um samba, a dívida dança um tango e o povo, maestro da resistência, continua transformando lágrimas em poesia e dificuldades em gargalhadas. Porque, no fim das contas, rir continua sendo o único imposto que ainda não conseguiram cobrar. E talvez seja exatamente esse riso, teimoso e luminoso, que mantém acesa a chama da esperança no coração de quem nunca desistiu de acreditar que amanhã pode chegar trazendo, finalmente, notícias capazes de fazer a realidade sorrir também.