Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de agosto de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de agosto de 2026

Por Antonio Glauber Santana Ferreira

O trem das notícias apitou tão alto nesta terça-feira que até o calendário colocou protetor de ouvidos. A primeira estação desembarcou na Coroa do Meio trazendo uma roda-gigante, dessas que prometem levantar turistas até o céu para que enxerguem a cidade de outro ângulo. Oxalá ela também faça alguns políticos darem uma voltinha nas alturas para descobrirem que promessa não é algodão-doce: derrete quando encontra o sol da realidade. A esperança já comprou ingresso, o vendedor de picolé sorriu, a câmera do celular ensaiou mil poses e até o vento cochichou para o mar: "Capriche nas ondas, porque o espetáculo vai começar." Enquanto isso, o siri, morador antigo da praia, abriu uma associação em defesa da tranquilidade e reclamou que agora terá vizinhos de todas as partes do mundo. A cidade sonha em crescer, e sonhar continua sendo o combustível mais barato que ainda não inventaram um imposto para cobrar.

Mas bastou atravessar o oceano para o teatro da diplomacia abrir as cortinas. Os Estados Unidos resolveram brincar de "quem fica com o visto?", como se a política internacional fosse um campeonato de colecionar carimbos em passaportes. O visto virou personagem de novela: num capítulo aparece sorrindo, no outro faz as malas e ameaça ir embora. O Itamaraty respondeu com voz firme, enquanto a diplomacia, essa senhora elegante que costuma tomar chá em xícaras de porcelana, viu o bule virar panela de pressão. Até os passaportes, coitados, começaram a suar frio dentro das gavetas.

E como se o palco já não estivesse lotado de atores temperamentais, Brasil e Argentina resolveram trocar olhares mais gelados que pinguim usando cachecol na Patagônia. Milei latiu palavras, Brasília respondeu com silêncio estratégico, e os embaixadores passaram a caminhar sobre um tapete de espinhos. A amizade entre vizinhos parecia um churrasco em que alguém exagerou na pimenta e esqueceu a água. O bom senso procurou vaga para estacionar, mas encontrou todas ocupadas pelo orgulho.

No fim da viagem, fica uma pergunta dançando como folha ao vento: por que construir pontes é sempre mais difícil do que levantar muros? Enquanto uns erguem rodas-gigantes para aproximar pessoas, outros fabricam gigantescas rodas de vaidade para afastar nações. Talvez o mundo precise menos de discursos inflamados e mais de corações iluminados. Afinal, o planeta já gira depressa demais; não precisa que o ego de alguns queira fazê-lo rodar ainda mais rápido. Que a roda-gigante nos ensine a olhar a vida do alto, porque lá de cima até as brigas parecem pequenas... e o riso continua sendo o único passaporte que atravessa qualquer fronteira sem precisar de visto.

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