Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de agosto de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de agosto de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

Eu, Antonio Glauber, peço licença pra entrar na sua casa com a crônica de hoje, 19 de agosto de 2026. Pode abrir a porta, ajeitar a cadeira e passar um cafezinho, porque o mundo acordou mais uma vez parecendo aquele grupo de família no WhatsApp: tem milagre, confusão, celular desaparecido, investigação internacional e uma quantidade de assunto capaz de fazer até o calendário pedir férias. Comecemos por Aracaju, onde uma notícia fez o coração da cidade parar por alguns segundos e depois voltar a bater com força: policiais militares do GETAM reanimaram uma bebê de apenas um mês que sofria asfixia. Ali, por alguns instantes, o tempo perdeu o relógio, a noite prendeu a respiração e a vida, pequenininha como uma gota de esperança, pediu socorro. Os braços que tantas vezes seguram o peso da segurança pública naquele momento carregaram algo infinitamente maior: uma vida inteira ainda por acontecer. Não havia sirene capaz de ser mais alta que o choro daquela criança voltando a respirar. E quando um bebê respira novamente, meu caro leitor, parece que até Deus abre uma janela no céu e diz: “Continue, pequena, sua história está só começando!”. Mas o noticiário, esse sujeito que não sabe ficar quieto nem cinco minutos, virou a esquina e encontrou mais de 6 mil celulares roubados ou furtados recuperados em dez dias pela Operação Última Chamada. Rapaz, foi tanto telefone voltando para casa que deve ter aparelho dizendo: “Mamãe, cheguei!”. Mais de 33 mil mensagens foram enviadas orientando devoluções. Imagino o susto de quem recebeu: o celular vibra e, pela primeira vez na história, não é promoção de empréstimo, cobrança, grupo de condomínio nem “bom dia” com girassol brilhando — é o Ministério da Justiça dizendo, em tradução livre: “Esse aparelho tem dono, meu filho!”. A tecnologia, que deveria aproximar pessoas, às vezes aproxima também ladrão, receptador, polícia e delegacia numa espécie de reunião de condomínio criminal onde ninguém quer assinar a ata. E enquanto celulares reapareciam no Brasil, nos Estados Unidos a política e a pandemia voltavam a sacudir o baú das polêmicas: um ex-assessor de Anthony Fauci declarou-se culpado por conspirar para burlar leis de acesso a registros públicos e ocultar documentos governamentais ligados a financiamentos de pesquisas e à Covid-19. A pandemia já foi embora da sala, mas deixou as gavetas cheias de papéis, perguntas, suspeitas e histórias que continuam tossindo no corredor da História. Parece aquela visita que diz “já estou indo” e três horas depois ainda está discutindo na porta. No fim desta quarta-feira, entre uma criança que volta a respirar, milhares de celulares que voltam aos donos e documentos que voltam ao centro das investigações, fica uma ironia quase poética: há coisas que precisam ser recuperadas. Um telefone pode ser recuperado pela polícia; um documento, pela Justiça; mas confiança, humanidade e responsabilidade não possuem aplicativo de rastreamento. Talvez por isso o gesto daqueles policiais em Aracaju brilhe tanto no meio da barulheira do mundo. Quando tudo parece virar estatística, boletim, operação, processo e manchete, uma pequena criança respira novamente e nos lembra, sem pronunciar sequer uma palavra, que a notícia mais importante continua sendo esta: a vida merece sempre uma segunda chance de respirar.

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