Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de agosto de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de agosto de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

Domingo, 30 de agosto de 2026, acordou com cara de quem tinha ido à padaria comprar pão e voltou trazendo na sacola a Mega-Sena, um caminhão de dívidas e uns mísseis balísticos de brinde — porque ultimamente o mundo perdeu completamente a moderação! Em Sergipe, apostas de cinco municípios acertaram quatro dezenas no concurso 3051 da Mega-Sena, e 19 jogos ganharam R$ 1.186,14 cada. Não dá para comprar uma ilha no Caribe, mas já dá para entrar no supermercado sem precisar vender um rim no corredor dos frios! Treze apostas foram feitas nas lotéricas e seis pela internet, provando que a esperança brasileira agora anda de chinelo, segura um volante numa mão e escolhe seis números na outra. Teve até bolão recebendo R$ 1.186,08 — seis centavos a menos! Seis centavos! Espero que ninguém tenha chamado um advogado, porque o Judiciário já está ocupado demais: a judicialização das dívidas passou de 1,2 milhão de ações, um oceano de boletos onde o brasileiro nada de braçada… só que com uma âncora amarrada no tornozelo. Especialistas apontam crédito fácil, apostas e endividamento entre as causas. O dinheiro chega sorrindo feito candidato em campanha e depois volta cobrando feito sogra que emprestou a panela em 1997: “E aí, vai devolver quando?” O cartão de crédito virou quase um personagem de filme de terror: primeiro diz “aproximar”, depois passa meses perseguindo a vítima! Enquanto uns sonham em acertar seis dezenas para fugir dos boletos, o planeta resolveu jogar uma Mega-Sena muito mais perigosa. Os Estados Unidos realizaram seu primeiro ataque ao Irã desde julho, e Teerã respondeu lançando mísseis balísticos contra bases na Jordânia. O Estreito de Ormuz parece uma panela de pressão esquecida no fogo, chiando, tremendo e ameaçando espalhar sopa geopolítica pelo teto do mundo. E nessa loteria ninguém deveria querer acertar número algum, porque prêmio de guerra vem embrulhado em fumaça, medo, lágrimas e mães olhando pela janela esperando filhos que talvez não voltem. Que ironia cruel: enquanto o homem inventa foguetes capazes de atravessar continentes, ainda não inventou tecnologia suficiente para atravessar alguns centímetros de orgulho. Temos inteligência artificial, satélites, mísseis supersônicos e celulares que reconhecem nosso rosto, mas a paz continua pedindo senha na recepção da humanidade. Assim terminou o domingo: em Sergipe, gente comemorando quatro números; nos tribunais, gente tentando sobreviver aos números das dívidas; e no Oriente Médio, governantes brincando com números capazes de virar estatísticas de mortos. Talvez a grande aposta da humanidade não esteja numa lotérica. Talvez seja aprender, finalmente, que nenhuma fortuna paga uma vida perdida, nenhuma bomba produz futuro e nenhum boleto deveria valer mais que a dignidade de quem luta para sobreviver. No fim das contas, meu caro leitor, que venha a segunda-feira — mas, por favor, sem juros, sem mísseis e, se possível, com seis dezenas premiadas!

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