Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de agosto de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de agosto de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
Quarta-feira, 26 de agosto de 2026, chegou com o jornal debaixo do braço, a sobrancelha levantada e uma sacola cheia de notícias capazes de fazer até o café perguntar: “Meu Deus, hoje eu preciso ser forte ou extra forte?”. Em Sergipe, a Justiça Federal determinou medidas para proteger o peixe-boi Astro, esse verdadeiro senhor das águas, patrimônio natural sergipano, criatura que nada mansamente como quem já entendeu que a humanidade corre demais e pensa de menos. Astro foi reconhecido pela Lei nº 9.732, de 26 de agosto de 2025, como símbolo da conservação da espécie no Brasil. E vejam que ironia digna de teatro: o peixe-boi não paga imposto, não usa rede social, não estaciona em fila dupla e, ainda assim, precisa recorrer indiretamente à Justiça para viver em paz! Daqui a pouco o pobre Astro aparece de gravata, segurando uma pasta de documentos e perguntando: “Excelência, posso simplesmente nadar sem que o ser humano invente uma confusão?”. Que a proteção seja firme, porque preservar a natureza não é fazer favor ao planeta; é evitar que um dia nossos netos conheçam os animais apenas por fotografia, como quem folheia o álbum de uma família que a irresponsabilidade humana deixou desaparecer.
Enquanto Astro busca tranquilidade nas águas, na internet o mar anda cheio de tubarões sem barbatana. O governo federal entrou com ação de R$ 500 milhões contra o Discord, apontando crimes praticados por usuários, falhas na moderação e riscos para crianças, adolescentes, mulheres e animais. Quinhentos milhões! É tanto zero que a calculadora olha, suspira e pede licença médica. A internet, que nasceu prometendo aproximar pessoas, às vezes parece uma praça sem poste, sem guarda, sem relógio e com um sujeito estranho oferecendo “grupo privado” atrás da árvore digital. Tecnologia sem responsabilidade é Ferrari descendo ladeira sem freio: bonita, veloz e com grande possibilidade de terminar dentro da sala de alguém. Liberdade de expressão jamais pode virar crachá para a crueldade, porque liberdade que destrói a dignidade do outro não é liberdade: é abuso fantasiado de modernidade, usando óculos escuros e dizendo que “na internet pode tudo”. Não pode! O mundo virtual também tem gente de carne, osso, medo, lágrima e coração do outro lado da tela.
E então a quarta-feira tirou o sorriso do rosto e colocou silêncio sobre a mesa. No Nepal e no Tibete, uma avalanche deixou centenas de mortos e desaparecidos, enquanto equipes enfrentam uma região imensa, instável e extremamente difícil de acessar. Ali, a montanha deixou de ser cartão-postal e virou gigante ferido, despejando toneladas de gelo e terra sobre vidas que, poucas horas antes, tinham planos, conversas, sonhos e talvez um simples almoço marcado para o dia seguinte. O resgate enfrenta obstáculos ainda maiores do que em tragédias como Brumadinho, e existe a dolorosa possibilidade de muitos corpos jamais serem recuperados. Nessa hora, toda piada se recolhe. O humor senta num canto, tira o chapéu e respeita o sofrimento. Porque existem notícias diante das quais até as palavras caminham devagar. Cada desaparecido não é estatística: é uma cadeira esperando alguém voltar, um telefone que talvez não toque, uma família olhando para a porta e negociando esperança com o impossível.
Assim terminou o desfile das notícias deste 26 de agosto: um peixe-boi pedindo proteção sem dizer uma palavra, a internet precisando aprender que tecnologia também deve ter consciência, e montanhas lembrando ao homem que, diante da natureza, nossa arrogância cabe inteira dentro de um grão de areia. Talvez a grande lição do dia seja esta: somos uma espécie capaz de criar satélites, redes digitais, inteligência artificial e máquinas extraordinárias, mas ainda precisamos aprender o verbo mais antigo do mundo — cuidar. Cuidar do Astro, cuidar das crianças, cuidar dos vulneráveis, cuidar da natureza e cuidar uns dos outros. Porque o verdadeiro progresso não se mede apenas pela velocidade da conexão, pelo tamanho das indenizações ou pela altura dos prédios. Mede-se pela quantidade de vidas que conseguimos proteger enquanto atravessamos esta breve, engraçada, dolorosa e extraordinária aventura chamada existência.