Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de agosto de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de agosto de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
Alô, caro leitor e cara leitora, aí estão as notícias da quinta-feira, 27 de agosto de 2026, chegando feito ônibus atrasado em horário de pico: buzinando, sacudindo a paciência e perguntando se ainda cabe mais alguém! Em Aracaju, o retorno da Avenida Tancredo Neves, nas proximidades da Avenida Beira Mar, foi fechado para o avanço das obras do Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves. E lá vai o motorista aracajuano participar, sem ter comprado ingresso, de mais uma temporada da série “Por Onde Eu Passo Agora?”. A SMTT garante que está tudo sinalizado, mas o GPS, coitado, já deve estar tomando calmante: “Recalculando rota... recalculando a vida... recalculando minhas escolhas!” Obras são necessárias, claro, porque cidade sem obra é fotografia parada no tempo; mas cidade com obra demais parece casa em reforma: tem poeira na sala, cimento na cozinha e alguém jurando que “semana que vem termina”. Que as novas alças viárias cheguem logo, porque o motorista já está fazendo tanta volta que corre o risco de sair da Tancredo Neves e chegar em 2027! Enquanto o trânsito procura saída, o mercado de trabalho abriu uma janela para o alívio: o desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, a menor taxa para esse período desde o início da série histórica em 2012, com 103,3 milhões de pessoas ocupadas. É notícia que merece café quente e sorriso largo! O desemprego, esse hóspede inconveniente que entra sem bater, come a esperança da geladeira e ainda deixa a conta sobre a mesa, finalmente resolveu arrumar parte das malas. Mas calma com os fogos de artifício, porque estatística bonita não paga boleto sozinha. Trabalho precisa vir acompanhado de salário digno, segurança e oportunidade, porque emprego que não sustenta uma família é barco com remo de papel: até flutua, mas qualquer onda faz discurso. E quando parecia que o planeta já tinha falado demais, a Terra resolveu pigarrear no Tibete. Um terremoto de magnitude 5,0 atingiu a região, um dia depois da avalanche na fronteira com o Nepal, embora o epicentro estivesse a mais de 800 quilômetros do local da tragédia e, até então, sem relatos de vítimas ou danos. A natureza, às vezes, parece uma gigante adormecida que se vira na cama e faz montanhas estremecerem. Diante dela, nossos arranha-céus, nossos discursos e nossa arrogância ficam pequenos como castelos de areia diante do mar. E assim terminou a quinta-feira: Aracaju desviando caminhos, o Brasil tentando abrir portas para o emprego e o Tibete lembrando que o chão sob nossos pés também tem voz. Entre placas de “desvio”, números de pesquisas e montanhas estremecidas, talvez a vida esteja nos ensinando a mesma coisa: nem todo caminho fechado é o fim da estrada, nem toda estatística significa missão cumprida e nem toda estabilidade é eterna. Seguimos, portanto, desviando dos buracos, procurando trabalho, recalculando rotas e torcendo para que a existência, essa motorista meio doida, pelo menos tenha atualizado o GPS.