Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de agosto de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de agosto de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira

O dia 08 de agosto de 2026 amanheceu com o planeta parecendo uma panela de pressão esquecida no fogo: de um lado, o mar querendo engolir gente; do outro, o céu ensaiando tempestades; e, no Oriente Médio, o petróleo fazendo pose de celebridade internacional, cercado de seguranças, ameaças e cifras. Em Aracaju, na Praia dos Artistas, um casal resolveu experimentar, sem querer, uma modalidade radical de namoro: “até que o mar nos separe”. As ondas, talvez com ciúmes, puxaram os dois para dentro como quem diz: “Hoje o passeio é por minha conta!”. Felizmente, populares entraram em cena antes mesmo dos guarda-vidas, e o susto terminou sem necessidade de atendimento médico. O Corpo de Bombeiros chegou, encontrou o romance já devolvido à areia e ainda levou o casal para casa. Serviço completo: resgate, tranquilidade e quase um “Uber Bombeiro”. Depois dessa, certamente o casal olhará para o mar com o mesmo respeito de quem olha para a fatura do cartão depois das férias.

Mas, enquanto o Atlântico fazia suas travessuras em Sergipe, o tal Super El Niño já aparecia no horizonte climático vestindo capa de vilão de novela mexicana. Vem chuva, vêm enchentes, vem prejuízo na agricultura e, como sempre acontece neste teatro econômico, quem termina molhado é o bolso do consumidor. Falam que, em 2027, a inflação dos alimentos poderá chegar perto dos dois dígitos. Traduzindo para o português da feira: o tomate poderá novamente exigir financiamento, a cebola terá autoestima de joia preciosa e o cafezinho talvez venha acompanhado de escritura pública. A natureza espirra no campo e o preço do feijão pega pneumonia no supermercado. É impressionante: quando chove demais, o alimento sobe; quando chove de menos, também sobe. Se chover dinheiro, é capaz de cobrarem imposto pela umidade.

E, como se o cardápio do dia ainda estivesse pouco apimentado, o Irã apresentou exigências para reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia gigantesca do petróleo mundial. O estreito virou uma espécie de porteiro de condomínio geopolítico: “Seu nome está na lista? Os Estados Unidos autorizaram? Teerã deixou entrar?”. Enquanto governos medem músculos sobre mapas, navios esperam, mercados tremem e o barril de petróleo fica esfregando as mãos, sorrindo como agiota em fim de mês. No final, quando gigantes discutem, quase sempre é o cidadão comum quem recebe a conta na bomba de combustível.

E assim terminou o 08 de agosto: um casal salvo das águas, agricultores olhando desconfiados para as nuvens e o mundo inteiro olhando para um estreito que, de estreito, só tem o nome, porque suas consequências cabem no planeta inteiro. Talvez as notícias estejam tentando nos ensinar que a humanidade vive navegando entre ondas, tempestades e interesses. A diferença é que, no mar de Aracaju, apareceram mãos para puxar duas vidas de volta à areia. Quem dera a política, a economia e o mundo também tivessem sempre alguém disposto a estender a mão antes que todos começassem a se afogar.

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