Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de agosto de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de agosto de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
Nas veredas das notícias vamos caminhar, porque esta terça-feira, 25 de agosto de 2026, apareceu na janela feito vendedor de novidade: trouxe carro elétrico, dívida universitária e até uma ilha italiana no bolso — faltou apenas oferecer três prestações sem juros e um cafezinho! Em Aracaju, a Câmara aprovou o projeto que regulamenta as estações de recarga para veículos elétricos. Finalmente o futuro resolveu procurar tomada em Sergipe! Agora o automóvel poderá chegar silencioso ao estacionamento, quase de pantufas, encostar no carregador e dizer: “Meu patrão, bote uns quilowatts aí que hoje ainda tenho muito asfalto pela frente!” A proposta alcança condomínios, edifícios, garagens, shoppings e estacionamentos públicos e privados. É a cidade tentando trocar o ronco dos motores pelo sussurro da eletricidade. Só esperamos que as tomadas não aprendam com certos buracos das ruas e também resolvam aparecer em todo canto! O progresso é bonito, moderno, ecológico e perfumado de tecnologia, mas precisa caminhar de mãos dadas com planejamento, porque modernidade sem estrutura é como instalar Wi-Fi numa carroça e anunciar que inventou o trem-bala.
Enquanto uns carregam carros, outros carregam dívidas. E que peso! O prazo para renegociar débitos do Fies vai até 16 de setembro, com descontos que podem chegar a 99% e parcelamento em até 150 vezes. Cento e cinquenta! É tanta prestação que, dependendo da idade, o cidadão termina de pagar quando o diploma já estiver pedindo aposentadoria! O estudante entrou na faculdade sonhando com conhecimento e, muitas vezes, saiu formado em duas áreas: a profissão escolhida e o doutorado involuntário em boletos. O Desenrola Fies chega como quem abre uma janela numa casa abafada. Para mais de um milhão de pessoas, pode representar não apenas desconto, mas a chance de recuperar o sono que os juros vinham sequestrando. Educação deveria construir pontes para o futuro, não algemar o estudante ao passado. Um diploma deve pesar na parede pelo orgulho, jamais nas costas como um saco de cimento financeiro.
E quando pensamos que o noticiário já havia colocado todos os ingredientes na panela, eis que surge uma ilha particular na Itália à venda por cerca de R$ 33 milhões! Sim, minha gente, uma ilha! Com forte construído em 1806, quatro quartos, jardins, canal interno, locais para barcos e até heliponto. Napoleão provavelmente olharia para o anúncio e perguntaria: “Aceita Pix?” Por R$ 33 milhões, o comprador leva 5,7 mil metros quadrados na Lagoa de Veneza e ainda pode acordar olhando para a história pela janela. Eu, por enquanto, continuarei olhando os anúncios de terrenos com entrada facilitada, porque meu império cabe confortavelmente dentro da carteira — e ainda sobra espaço! É curioso: enquanto milhares procuram desconto para pagar os estudos, alguém procura comprador para uma ilha milionária. Eis o mundo, esse grande teatro onde, no mesmo palco, um homem calcula a prestação do Fies e outro calcula onde estacionará o helicóptero.
E assim caminhamos pelas veredas desta terça-feira: carregando carros, renegociando sonhos e vendendo fortalezas. A notícia é um espelho meio maluco da humanidade. De um lado, tecnologia; do outro, dívida; mais adiante, luxo. Tudo convivendo no mesmo planeta, esse condomínio gigantesco onde alguns procuram uma tomada, outros uma saída financeira e poucos procuram uma ilha para chamar de quintal. No fim das contas, talvez a maior riqueza ainda seja conseguir atravessar essas veredas sem perder o humor, a consciência e a esperança. Porque dinheiro compra uma ilha, pode até comprar um forte napoleônico e um heliponto... mas não existe corretor no mundo capaz de vender, por R$ 33 milhões ou por R$ 33 bilhões, uma consciência tranquila, um sonho realizado e a alegria de dormir sem boleto fazendo serenata debaixo da janela.