Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de agosto de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de agosto de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
Abram as portas para as notícias da segunda-feira, dia 24 de agosto de 2026, porque o mundo já chegou sem bater, entrou de sapato sujo, sentou no sofá e ainda perguntou se tinha café! E a semana começou em Sergipe com o coração apertado: uma criança de apenas 7 anos, com autismo, desapareceu em Nossa Senhora do Socorro e foi encontrada caminhando sozinha às margens da BR-235. Imaginem a aflição de uma mãe vendo as horas crescerem como gigantes dentro de casa! Felizmente, pessoas atentas acionaram a Polícia Rodoviária Federal, e os agentes encontraram o menino e o devolveram em segurança à família. Nesse instante, a rodovia deixou de ser apenas asfalto e virou ponte de esperança; a farda virou abraço, e a notícia, que começou como tempestade, terminou feito janela aberta depois da chuva. Que nunca nos falte atenção ao próximo, porque, às vezes, salvar alguém começa simplesmente com o gesto de não fingir que não viu.
Enquanto isso, a política brasileira já colocou o tênis de corrida e saiu em disparada rumo às urnas. Dados da Justiça Eleitoral mostram que 23% dos candidatos a deputado federal ou senador disputam eleições em estados diferentes daqueles onde nasceram. São 1.969 candidatos nessa situação! Em Roraima, Distrito Federal, Tocantins e Rondônia, os “forasteiros eleitorais” são maioria. A política, pelo visto, descobriu o turismo eleitoral: o sujeito nasce num canto, cresce noutro, pede voto acolá e, se bobear, inaugura até praça onde nunca tomou um cafezinho! Mas sejamos justos: ninguém precisa nascer debaixo da placa da cidade para defendê-la. O problema é quando o candidato conhece mais o caminho da urna do que o caminho dos bairros, sabe todas as poses para fotografia, mas não sabe onde falta água, escola, médico ou estrada. Em época eleitoral aparece tanta intimidade repentina com o povo que daqui a pouco candidato vai chegar dizendo: “Minha gente, eu praticamente nasci nessa calçada!”, mesmo que a certidão de nascimento esteja gritando a três mil quilômetros de distância.
E lá do outro lado do planeta, a Nova Zelândia resolveu encarar um dos grandes monstros modernos: as redes sociais. O primeiro-ministro Christopher Luxon anunciou que seu partido apresentará um projeto para proibir o acesso de menores de 16 anos às plataformas, com multas que podem chegar a 10% da receita global das empresas que descumprirem as regras. Dez por cento! Nessa hora até o algoritmo deve ter engasgado com o próprio cookie. A proposta certamente vai gerar discussão, porque rede social hoje é quase parente: entra em casa sem convite, acompanha o café, o almoço, o jantar e ainda dorme ao lado da cama carregando na tomada. O problema é que criança precisa aprender primeiro a caminhar pelo mundo real antes de ser empurrada para essa avenida digital onde todo mundo parece feliz, bonito, rico, viajando e tomando café que custa o preço de um botijão de gás. Talvez proteger a infância seja também devolver às crianças o direito de olhar para o céu sem perguntar quantas curtidas ele tem.
E assim termina esta segunda-feira: uma criança reencontra os braços da mãe, candidatos atravessam fronteiras atrás de votos e a Nova Zelândia tenta colocar cerca no infinito das redes sociais. O mundo continua esse grande circo onde a esperança anda na corda bamba, a política vende pipoca na arquibancada e o algoritmo quer ser o dono do espetáculo. No meio de tudo isso, seguimos nós, tentando não perder o coração, o senso crítico e, principalmente, o bom humor — porque há dias em que rir não é falta de seriedade; é colete salva-vidas para atravessar o oceano das notícias.