Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 31 de agosto de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 31 de agosto de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
Agosto de 2026 está se despedindo, fechando as malas, apagando a luz do corredor e dizendo “até nunca mais”, enquanto nós nos acomodamos na poltrona desta grande sala de cinema chamada vida para assistir à última crônica do mês. E o filme começa sem pipoca, porque as primeiras cenas apertam o coração. Em São Paulo, morreu o japaratubense Clarêncio da Rocha, vítima de um acidente cruel: foi atropelado por uma motocicleta enquanto pedalava sua bicicleta. Clarêncio lutou pela vida, agarrou-se a ela como quem segura a última corda sobre um precipício, mas infelizmente não resistiu. Aos familiares e amigos, nossos sentimentos. Em Japaratuba, outra despedida: Joseane dos Santos faleceu vítima de um infarto. Que Deus conforte sua família e transforme a saudade, esse relógio que insiste em andar para trás, em lembranças de carinho. E o jornalismo brasileiro também vestiu luto: morreu, aos 77 anos, Carlos Monforte, rosto conhecido do “Bom Dia Brasil” e testemunha de décadas da política nacional. Monforte partiu, mas deixou suas palavras gravadas na memória da televisão — porque jornalista também vira arquivo vivo de um país que muda de assunto mais rápido do que brasileiro troca de fila quando acha que a outra está andando mais depressa.
No esporte, Lionel Messi anunciou a aposentadoria da seleção argentina dizendo não ter mais o que dar. Ora, Messi não tem mais o que dar? Depois de dar dribles, gols, títulos, sustos em goleiros e pesadelos em zagueiros, só faltava entregar a chave do estádio e perguntar se alguém queria levar a trave para casa! A camisa argentina perde um maestro, e a bola provavelmente amanheceu chorando num cantinho do gramado. Até o futebol sabe que alguns adeuses parecem aquele último acorde de uma música bonita: terminam, mas continuam ecoando dentro da gente.
Enquanto isso, em Aracaju, a Avenida Hermes Fontes terá interdições parciais sob o viaduto entre as avenidas Francisco Porto e Gonçalo Rollemberg Leite para serviços de pintura, das 9h às 16h. Uma faixa será fechada por vez. Traduzindo para o idioma oficial do motorista aracajuano: prepare a paciência, abasteça o tanque e, se possível, leve café, biscoito, rede, ventilador e talvez um livro de 700 páginas. O trânsito é aquele parente que diz “estou chegando” e aparece duas horas depois. Mas que pintem o viaduto! Porque infraestrutura também precisa de maquiagem — só esperamos que não seja daquelas maquiagens que escondem rugas por fora enquanto o concreto pede socorro por dentro.
E Brasília, claro, jamais deixa a crônica sem tempero. Toffoli suspendeu a campanha de Renan Santos à Presidência da República, interrompendo propaganda eleitoral, repasses do Fundo Eleitoral e participação em debates. A política brasileira virou um campeonato tão imprevisível que, antes mesmo de o juiz apitar o começo, já aparece cartão, VAR, recurso, liminar e alguém perguntando: “Mas o jogo começou ou já estamos nos pênaltis?”. Brasília não é para amadores; é uma espécie de novela onde o autor troca o roteiro no intervalo comercial e os personagens descobrem o capítulo ao mesmo tempo que o telespectador.
E, para fechar agosto com o planeta girando em modo panela de pressão, Xi Jinping encontrou Vladimir Putin numa cúpula no Quirguistão, com participação de Irã, Índia e outros países da Organização de Cooperação de Xangai. O encontro é tratado como contraponto à influência dos Estados Unidos. É o velho tabuleiro geopolítico, onde os países movem peças, apertam mãos diante das câmeras e provavelmente dizem “cooperação” com um sorriso enquanto escondem calculadoras, mapas e interesses debaixo da mesa. O mundo parece uma reunião de condomínio em escala planetária: um reclama do vizinho, outro forma grupo no WhatsApp, um terceiro ameaça mudar o portão e ninguém sabe exatamente quem ficou responsável por pagar a conta da água.
E assim agosto fecha suas cortinas. Entre despedidas que doem, um gênio da bola deixando a seleção, trânsito recebendo pinceladas, candidaturas entrando no freezer e potências mundiais disputando espaço no enorme sofá da geopolítica, seguimos nós — pequenos passageiros desse trem chamado tempo. Agosto vai embora levando lágrimas, gargalhadas, manchetes e cicatrizes. Amanhã setembro baterá à porta com cara de quem promete novidade. E nós abriremos, porque a vida é assim: mesmo depois dos capítulos mais tristes, o calendário vira a página sem pedir licença. Que venha setembro — mas, por misericórdia, venha devagar, porque agosto já deixou notícia suficiente para um seriado de dez temporadas, três continuações e um especial de fim de ano!