Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de agosto de 2026 — Dia do Estudante
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de agosto de 2026 — Dia do Estudante
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
A terça-feira, 11 de agosto de 2026, amanheceu vestida de caderno novo, cheirando a lápis apontado e carregando nas costas a mochila simbólica do Dia do Estudante, esse herói nacional que enfrenta prova surpresa, trabalho em grupo em que dois fazem e seis colocam o nome, professor dizendo “é só uma revisãozinha” e um boletim capaz de provocar mais suspense que final de campeonato. Mas, enquanto os estudantes desviavam das pegadinhas das provas, em Sergipe um motorista de 61 anos precisou desviar de uma pegadinha muito menos engraçada: uma cratera na SE-100, perto da ponte entre Barra dos Coqueiros e Santo Amaro das Brotas. O carro caiu no buraco e o homem ficou ferido, sendo socorrido pelo Samu e pelos Bombeiros. A estrada, pelo visto, resolveu oferecer curso intensivo de Geografia: relevo, depressão e erosão, tudo numa aula prática só! Buraco em rodovia brasileira, aliás, é uma criatura tão persistente que daqui a pouco vai pedir CPF, título de eleitor e aposentadoria por tempo de serviço. Quando deixa de ser buraco e vira cratera, já merece até CEP próprio. Enquanto um brasileiro literalmente descia num buraco, outra brasileira subia uma escada gigantesca feita de livros, coragem e persistência. Gabrielle Hayashi Santos, primeira da família a falar inglês, ter pós-graduação e estudar fora, conquistou uma das 120 vagas de estágio no Banco Mundial enfrentando quase 33 mil candidatos. Trinta e três mil! Isso não é seleção, é vestibular, Copa do Mundo, Big Brother e fila de concurso público misturados no mesmo liquidificador! E justamente no Dia do Estudante, Gabrielle vira metáfora viva do poder da educação: aquela menina que um dia achou que estudar fora era sonho grande demais descobriu que, às vezes, não é o sonho que precisa diminuir — é o medo que precisa sair da frente. Educação é isso: uma chave aparentemente pequena capaz de abrir portas maiores que o mundo. E do outro lado do planeta, o Líbano escreveu outra página histórica ao abolir a pena de morte e substituir as sentenças existentes por prisão perpétua. Em tempos em que o mundo parece andar com os nervos expostos, distribuindo ódio como se fosse panfleto em porta de supermercado, escolher retirar a morte das mãos do Estado provoca uma pergunta incômoda e necessária: Justiça é castigar ou também é impedir que a vingança coloque uma toga e finja que virou Justiça? Assim passou o 11 de agosto: uma cratera lembrando que existem buracos que precisam ser tapados, uma estudante mostrando que existem sonhos que precisam ser alimentados e um país provando que até leis consideradas eternas podem mudar. Talvez seja essa a maior aula deste Dia do Estudante: a vida é uma escola sem sinal para o recreio. Alguns dias trazem provas, outros trazem crateras, outros trazem 33 mil concorrentes na mesma questão. Mas quem aprende, insiste e não abandona o caderno da esperança pode transformar obstáculos em degraus. Porque estudante é justamente essa criatura extraordinária que olha para uma página em branco e acredita que ainda pode escrever nela um futuro inteiro. E que venham muitos futuros assim — de preferência com mais livros, mais oportunidades, mais humanidade e, pelo amor de Deus, menos crateras nas rodovias!