Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de agosto de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de agosto de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
O dia 20 de agosto de 2026 amanheceu com o noticiário parecendo uma panela de pressão esquecida no fogo: de um lado ônibus parados, do outro impostos fazendo contas e, lá nos Estados Unidos, até plano de ataque sendo desmontado antes que a tragédia encontrasse endereço. Em Aracaju, mais de 100 ônibus foram impedidos de circular justamente um dia depois de a Prefeitura anunciar a chegada de novos veículos. É quase uma comédia escrita pelo trânsito: os novos batendo à porta enquanto os antigos recebem ordem de ficar na garagem. O passageiro, coitado, fica no ponto olhando para o horizonte como quem espera o amor da juventude voltar — só que, nesse caso, o romance vem com catraca, ar-condicionado e, de preferência, sem atrasar quarenta minutos. A cidade parece dizer: “vem ônibus novo!”, enquanto a população responde: “venha mesmo, meu filho, porque minhas pernas já estão querendo pedir aposentadoria!”. E assim o transporte coletivo segue sendo esse casamento complicado entre promessa e realidade, em que o usuário paga a passagem e ainda leva de brinde uma pós-graduação em paciência.
Enquanto isso, em Brasília, a Receita Federal ganhou prazo até 14 de setembro para apresentar ao TCU a proposta de cálculo da CBS para 2027. Quando brasileiro ouve falar em “alíquota de referência”, já sente a carteira tossir, o bolso suar frio e o salário se esconder atrás do calendário. Ministro da Fazenda, secretário da Receita, presidente do TCU… todo mundo reunido para fazer contas tão sofisticadas que até a calculadora deve pedir um cafezinho no meio da reunião. A reforma tributária promete simplificar o sistema, e tomara que simplifique mesmo, porque o contribuinte brasileiro já vive numa floresta de siglas onde cada árvore parece dizer: “pague aqui!”. CBS, TCU, tributo, transição… daqui a pouco será preciso GPS para chegar ao preço final de um pacote de arroz.
E, atravessando o oceano, a notícia fica muito mais sombria: autoridades americanas prenderam uma mulher acusada de planejar um ataque inspirado pelo Estado Islâmico contra o Capitólio Estadual de Nova York, em Albany. Aí o humor recolhe o chapéu e dá lugar à reflexão. Porque há notícias diante das quais a ironia precisa baixar a voz. O extremismo é uma espécie de incêndio da razão: começa numa centelha de ódio e, se ninguém apagar, tenta transformar vidas inocentes em cinzas. Felizmente, nesse caso, o plano foi interrompido antes que o medo escrevesse uma página de sangue.
E assim terminou mais um dia neste planeta que parece ter sido roteirizado por um autor que mistura comédia, drama, burocracia e suspense na mesma folha. Em Aracaju, ônibus esperam autorização para rodar; em Brasília, números procuram uma alíquota; em Nova York, a segurança tenta impedir que a intolerância transforme loucura em tragédia. No fim das contas, talvez a grande notícia seja esta: o mundo continua correndo, mesmo quando o ônibus para, o imposto calcula e o perigo ronda. E nós seguimos passageiros dessa enorme condução chamada vida, segurando firme na esperança, porque ninguém sabe onde será a próxima parada — mas é sempre melhor viajar com humanidade no coração e bom senso no volante.
Antonio Glauber Santana Ferreira