Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de julho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de julho de 2026


Por Antonio Glauber Santana Ferreira

O dia 28 de julho de 2026 resolveu vestir a fantasia de maestro do caos e saiu regendo uma orquestra onde o mosquito tocava violino, as armas batiam tambor e a Terra, cansada de guardar seus soluços, espirrou um terremoto tão forte que o Japão pareceu dançar um forró sem ter convidado ninguém para o salão. O planeta, esse velho ator dramático, resolveu improvisar o roteiro enquanto nós, figurantes de luxo, continuamos discutindo a cor da cortina do teatro.

Em Sergipe, o Aedes aegypti parecia candidato em época de eleição: visitando municípios, apertando mãos invisíveis e prometendo distribuir dengue para todos, sem distinção de CEP. Quarenta e sete cidades em risco médio de infestação. O mosquito, esse vampiro de bolso, faz turismo melhor do que muita gente que nunca conseguiu juntar dinheiro para conhecer a praia vizinha. É um empresário de asas, especializado em abrir filiais da doença onde encontra um copinho de água esquecido. E pensar que o maior inimigo dele não é um exército, mas uma tampa de caixa-d'água... Que derrota humilhante para um inseto tão metido!

Enquanto isso, as armas registradas por CACs pareciam relógios que esqueceram de marcar as horas da responsabilidade. Três em cada dez registros vencidos. É como se a burocracia tivesse tirado férias justamente na portaria do perigo. Papel vencido não transforma metal em brinquedo. Arma não tem senso de humor, não conhece ironia nem distingue aplauso de tragédia. A responsabilidade não pode vencer antes do documento. Quando o cuidado cochila, o risco acorda espreguiçando os músculos.

E então o Japão. Ah, o Japão! A Terra rugiu como um leão escondido no subsolo. O chão resolveu lembrar aos homens que concreto também aprende a tremer. Depois do terremoto, veio a explosão, como se o destino tivesse decidido escrever um ponto de exclamação sobre um ponto de interrogação. Duzentas pessoas conseguiram escapar abraçando a vida, mas outras ainda eram procuradas entre poeira, silêncio e esperança. Nessas horas, a humanidade descobre que não existe prédio mais forte do que um abraço, nem riqueza maior do que ouvir alguém dizer: "Você está vivo."

No fim das contas, o mosquito continua voando, os papéis continuam vencendo antes do bom senso e a Terra continua nos lembrando que somos hóspedes, não donos da casa. Talvez a maior epidemia do nosso tempo não seja a dengue, nem a burocracia, nem os terremotos. Talvez seja a velha mania humana de acreditar que o amanhã sempre espera sentado. Não espera. O amanhã corre mais do que nós. E quem não aprende com as notícias acaba sendo matriculado, sem pedir, na universidade das consequências, onde a mensalidade é cobrada em lágrimas e o diploma chega carimbado pela própria realidade.

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