Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de julho de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O mundo acordou decidido a escrever um romance tragicômico, desses em que o riso tropeça na lágrima e a esperança insiste em fazer plantão na porta da realidade. Na Ceasa de Aracaju, o Ministério Público sentou-se à mesa para discutir regras, porque até o tomate parece ter descoberto que organização vale mais do que gritaria. Afinal, quando a bagunça vira prefeita do mercado, a cebola chora antes mesmo de ser cortada e a batata pede aposentadoria por estresse.

Enquanto isso, um condomínio de luxo revelou um porão moral mais escuro que uma noite sem lua. Uma mulher passou cinquenta e cinco anos servindo uma família como quem fosse invisível, escravizada pelo relógio, pelo silêncio e pela crueldade. Que ironia cruel! O luxo desfilava de gravata, mas a humanidade apareceu descalça. A mansão brilhava como um diamante, enquanto a consciência dos seus donos parecia ter sido colocada para lavar e esquecida no varal da vergonha. Dinheiro compra sofá de couro, piscina aquecida e lustres importados... mas continua incapaz de vender caráter em promoção. Ainda bem que a justiça resolveu bater à porta; demorou tanto que o calendário quase pediu indenização por abandono.

E, do outro lado do Caribe, Cuba mergulhou outra vez na escuridão. O apagão parecia um mágico mal-humorado que resolveu fazer desaparecer a luz, a paciência e até o ventilador. As lâmpadas cruzaram os braços, os postes bocejaram e a eletricidade pediu férias sem aviso-prévio. O escuro caminhava pelas ruas como um rei vaidoso, coroado pela ironia de um século que manda foguetes ao espaço, conversa com inteligência artificial e, ao mesmo tempo, ainda deixa milhões de pessoas procurando um interruptor que responda: "Estou aqui!"

No fim das contas, percebi que a humanidade continua sendo uma orquestra desafinada: uns tocam violino, outros tambor, alguns desafinam de propósito e há quem venda a própria consciência por um aplauso de cinco minutos. Mas a esperança... ah, essa teimosa! Ela continua igual a um passarinho que constrói ninho em pleno vendaval, rindo da tempestade e lembrando que nenhuma noite, por mais convencida que seja, consegue demitir o amanhecer. E talvez essa seja a maior piada de Deus: o sol sempre volta, mesmo quando os homens insistem em fabricar sombras.

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