Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de julho de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de julho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira
O dia 24 de julho de 2026 acordou com Aracaju vestindo um colete refletivo e distribuindo cones como quem organiza um baile onde ninguém queria dançar. As obras anunciaram mudanças no trânsito, e os motoristas já começaram a conversar com o volante como se ele fosse psicólogo. Em nossa cidade, basta aparecer uma retroescavadeira para o GPS pedir aposentadoria e o cidadão descobrir caminhos que nem os pombos conheciam. O trânsito, esse poeta mal-humorado, transformou cada buzina numa ópera desafinada e cada semáforo num filósofo ensinando a velha lição de que paciência ainda é mais barata que combustível.
Enquanto isso, um advogado resolveu transformar a cueca em loja de eletrônicos e tentou entrar no Copemcan carregando seis celulares escondidos. O scanner corporal, que não faz pós-graduação em ingenuidade, apitou mais alto que consciência em noite de insônia. A tecnologia olhou para o improviso humano e respondeu com um sonoro: "Hoje não!". Há quem esconda sonhos no peito; outros preferem esconder smartphones na roupa íntima. A criatividade brasileira continua concorrendo ao Nobel da gambiarra, mas às vezes esquece que raio X não sofre de miopia.
Em Brasília, o governo anunciou a liberação de R$ 5,7 bilhões no orçamento, e o dinheiro saiu para passear pelos corredores da esperança. Dinheiro público é como chuva: quando cai no lugar certo, faz brotar escolas, hospitais e estradas; quando evapora antes de chegar ao chão, só produz nuvens de promessas. O orçamento sorriu, a calculadora respirou aliviada e o contribuinte continuou perguntando, com um sorriso desconfiado, se dessa vez o futuro chegará no prazo ou se também ficará preso no congestionamento das boas intenções.
Do outro lado do oceano, uma estagiária foi presa sob suspeita de espionagem em um quartel da Otan. Até os segredos internacionais parecem ter perdido o direito à privacidade. O mundo virou um enorme romance policial onde pendrives cochicham, computadores piscam de desconfiança e informações caminham de sapatos silenciosos pelos corredores da geopolítica. Hoje, uma senha vale mais que um cofre, e um clique pode atravessar fronteiras mais rápido do que um avião.
Assim seguiu este 24 de julho: entre cones, scanners, bilhões e segredos. O planeta parecia um circo onde os palhaços tentam organizar a plateia enquanto os trapezistas discutem política e os mágicos fazem desaparecer a lógica. E nós, espectadores dessa comédia chamada realidade, seguimos rindo para não buzinar, pensando para não tropeçar e acreditando que, apesar de tantos absurdos, o bom senso ainda pode reaparecer antes que alguém tente esconder o próximo problema... na cueca da História.