Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de junho de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Junho fechou a porteira, apagou a fogueira, dobrou a sanfona e foi embora de mansinho, levando no bolso o cheiro de milho assado, fumaça de fogão a lenha e o eco das gargalhadas que dançavam quadrilha com a lua. O mês mais animado do ano despediu-se como um velho poeta: deixou saudades na varanda, lágrimas escondidas no sorriso e um punhado de estrelas espalhadas sobre a poeira do tempo. O calendário, esse relojoeiro apressado, nem pediu licença; arrancou a última folha com a elegância de quem sabe que o tempo nunca devolve troco.
Enquanto junho fazia as malas, Aracaju e São Cristóvão resolveram brincar de irmãos que passaram décadas discutindo onde terminava o quintal de um e começava o jardim do outro. Depois de tanta queda de braço, descobriram que conversar custa muito menos do que construir muros de teimosia. Até os mapas, coitados, suspiraram aliviados. Dizem que as fronteiras sorriram discretamente e que as placas de "Bem-vindo" ensaiaram um abraço. A geografia, enfim, bateu palmas, porque território sem diálogo é igual sanfona sem fole: faz pose, mas não toca música nenhuma.
Do outro lado do país, o campo acordou ouvindo o barulho da esperança. O Plano Safra chegou distribuindo promessas em bilhões, como se plantasse sementes de futuro em cada pedaço de chão. O agricultor olhou para a enxada, a enxada olhou para a terra, e a terra respondeu com aquele silêncio fértil que só quem vive do suor entende. Afinal, plantar é um ato de fé: enterra-se um grão acreditando que Deus ainda escreve poemas verdes sobre a pele marrom da terra.
Enquanto isso, do outro lado do hemisfério, as criptomoedas resolveram provar que dinheiro também aprendeu a andar de foguete. Bilhões voaram pelos céus digitais com a velocidade de um boato em grupo de mensagens. O cifrão ganhou asas, vestiu capa de super-herói e saiu desfilando como pavão em dia de desfile. Houve quem piscasse os olhos e perdesse a conta dos zeros. Tantos zeros que até a calculadora pediu férias, o teclado entrou em crise existencial e o bolso do cidadão comum continuou fazendo eco quando abria a carteira. Há fortunas tão gigantes que parecem montanhas; o problema é que a sombra delas, às vezes, cobre o horizonte de muita gente.
E assim terminou junho: um maestro aposentando a batuta depois de reger forrós, notícias, acordos, cifras, esperanças e contradições. A vida, essa cronista debochada, continua escrevendo capítulos onde o riso divide a mesa com a preocupação, a esperança dança com a ironia e o futuro insiste em bater à porta, mesmo quando o presente está ocupado discutindo fronteiras ou contando bilhões.
Adeus, junho. Vai tranquilo. Leva contigo as bandeirinhas coloridas, mas deixa conosco a coragem de rir das loucuras do mundo. Porque, no fim das contas, quem perde a capacidade de sorrir acaba permitindo que o tempo vença antes mesmo do relógio dar a última badalada.