Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de junho de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Vamos tomar um café com crônica.
O frio resolveu tirar férias das serras e veio passear por Sergipe. Bastou o vento colocar um casaquinho que as prateleiras de vinhos e licores começaram a sorrir mais do que vendedor em fim de expediente. O café olhou de lado e resmungou: "Traição!". O licor respondeu, todo elegante: "Calma, amigo, hoje a poesia resolveu se vestir de taça." E assim o inverno, esse turista folgado, transformou a conversa da calçada em brinde, enquanto o casaco, esquecido há meses no guarda-roupa, saiu desfilando como se fosse modelo de passarela.
Enquanto isso, em Brasília, nasceu mais uma criatura da burocracia: o Consignado CLT com garantia do FGTS. Traduzindo para o português do povo: o trabalhador pode usar a reserva do futuro para resolver a pressa do presente. É como vender o guarda-chuva para comprar um sorvete em dia de nuvem carregada. O bolso, esse filósofo maltratado, já nem reclama; apenas suspira, faz as contas, perde a conta e depois pede um cafezinho para esquecer que a matemática também sabe contar piadas.
Mas o riso faz uma pausa respeitosa quando a terra decide espirrar. Na Venezuela, o terremoto transformou casas em lembranças e sonhos em poeira. Mais de mil vidas se calaram, milhares de pessoas ficaram feridas e tantas outras perderam o teto que chamavam de lar. A natureza, quando ergue a voz, cala os discursos dos poderosos e nos lembra que somos passageiros num planeta que às vezes dança sem pedir licença. Nessas horas, a solidariedade vale mais do que qualquer moeda, porque há dores que só um abraço consegue traduzir.
E o mundo segue sua marcha curiosa: uns aquecem o corpo com vinho, outros aquecem a esperança com um empréstimo, enquanto tantos tentam apenas aquecer o coração depois da tragédia. A vida é esse café forte servido em xícara de barro: às vezes amarga, às vezes doce, sempre quente e cheia de surpresas. E nós, pobres cronistas desse grande circo chamado humanidade, seguimos escrevendo entre gargalhadas e lágrimas, porque até o riso, quando encontra a compaixão, aprende a rezar.