Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de junho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de junho de 2026





Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O mundo amanheceu vestido de sanfona, chuteira e lágrimas. Parecia que o destino havia colocado um chapéu de couro na cabeça do planeta e mandado a humanidade dançar um baião entre gargalhadas e suspiros. O Brasil, esse velho poeta que às vezes tropeça no próprio cadarço, resolveu brincar de suspense: deixou o Japão acreditar por alguns minutos e, depois, virou a mesa, virou o jogo e virou até o coração do torcedor. A camisa amarela parecia um sol teimoso que se recusava a se pôr. A cada gol, o sofá virou arquibancada, a panela virou tambor, o vizinho virou narrador esportivo e até o cachorro latiu como se estivesse convocado para a Seleção. Ah, futebol... esse mágico que faz milhões de cardiologistas pedirem férias ao mesmo tempo.

Enquanto isso, em Aracaju, um ônibus resolveu esquecer que nasceu para carregar passageiros e decidiu transportar saudades. Pintado de Luiz Gonzaga, virou sanfona sobre rodas, costurando avenidas com acordes invisíveis. As ruas sorriam, as praças batiam palmas e até os semáforos pareciam dançar forró. Era como se o asfalto, cansado de tanto concreto, resolvesse florescer em zabumba, triângulo e poesia.

Em Brasília, a política continuava seu eterno campeonato de xadrez jogado sobre um tabuleiro de gelo. Lula recebia Teresa Leitão para um novo capítulo da engrenagem governamental, enquanto os corredores do poder, sempre elegantes, escondiam nos bolsos as velhas interrogações que insistem em sobreviver às manchetes. A política é um teatro onde o figurino muda depressa, mas o roteiro vive pedindo uma reescrita. O povo, na plateia, continua pagando ingresso caro para assistir à esperança disputar espaço com a desconfiança.

Mas, de repente, o riso perdeu o fôlego. A Venezuela surgia como um relógio ferido, contando segundos entre escombros, lágrimas e silêncios. Cada hora que passava parecia uma vela apagando outra vela. O vento carregava nomes, sonhos e abraços interrompidos. Diante de tanta dor, até a ironia abaixou a cabeça. Há tragédias que fazem o humor tirar o chapéu em respeito à humanidade.

E assim terminou o dia 29 de junho: um calendário que misturou a gargalhada do gol, o compasso do baião, os bastidores da política e o luto de um povo. A vida, essa cronista irreverente, continua escrevendo suas páginas com tinta de esperança e borracha de incertezas. E nós seguimos caminhando, porque o tempo é esse maestro maluco que rege a orquestra da existência: ora desafina em tragédia, ora explode em festa, mas nunca, absolutamente nunca, deixa o espetáculo terminar.

Postagens mais visitadas deste blog

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de Agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 10 de Dezembro de 2025

Megaboca: tubarão de espécie rara encalha em Sergipe