Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de junho de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O mundo resolveu dançar um forró desafinado. Enquanto o zabumba chamava para a festa, a consciência tropeçava no próprio cadarço. Em Aracaju, um homem teve a audácia de levantar a mão contra um trabalhador com deficiência visual. Ironia das ironias: quem não enxergava era justamente quem via o trabalho como dignidade; cego de verdade parecia ser o agressor, que passeava pela avenida da ignorância usando óculos escuros fabricados pelo preconceito. Há quem pense que músculos substituem caráter. Pobres bíceps... nunca conseguiram carregar um cérebro nas costas.

Mas, enquanto a maldade fazia seu espetáculo de quinta categoria, a Justiça entrou no salão sem pedir licença. Porque há momentos em que algemas soam como castanholas da responsabilidade e lembram que a violência sempre desafina diante da lei.

Longe dali, a Terra resolveu espirrar. A Venezuela chorou poeira, pedras e silêncio. Casas viraram cartas embaralhadas pelo destino, e milhares de famílias descobriram que o chão também pode perder o equilíbrio. Entre sirenes e lágrimas, socorristas de dezenas de países esqueceram bandeiras para vestir apenas o uniforme mais bonito da humanidade: a solidariedade. Até países que mal trocavam cumprimentos apertaram as mãos sobre os escombros. A tragédia, às vezes, ensina em poucas horas aquilo que a diplomacia leva décadas tentando explicar: a dor não precisa de passaporte.

E a Força Aérea Brasileira trouxe de volta brasileiros, como quem recolhe pedaços de esperança espalhados pelo vendaval. Cada sobrevivente encontrado parecia uma flor insistindo em nascer entre pedras. A vida é teimosa. Ainda bem!

Enquanto isso, do outro lado do planeta, Austrália, Vanuatu e China jogavam o velho xadrez da geopolítica. Reis, torres e peões disputando o tabuleiro do Oceano Pacífico, onde cada assinatura pesa mais que um navio e cada sorriso diplomático esconde um dicionário inteiro de interesses. A política internacional, às vezes, lembra um casamento em que todos juram amor eterno... mas ninguém larga a carteira.

No fim das contas, o domingo deixou uma lição embrulhada em papel de jornal: há homens que derrubam pessoas, terremotos que derrubam cidades e ambições que tentam derrubar a paz. Mas também existem mãos que levantam desconhecidos, aviões que trazem esperança e corações que recusam o convite do ódio.

Que o nosso olhar nunca seja menor que a nossa humanidade. Porque enxergar não depende apenas dos olhos; depende, sobretudo, da alma. E essa, felizmente, ainda não inventaram terremoto capaz de destruir.

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