Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de junho de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Santo Antônio acordou hoje com o céu vestido de chita, o vento cheirando a milho assado e a sanfona espreguiçando notas pelas esquinas do Nordeste. Em Aracaju, o Forró Caju resolveu transformar o bairro Santos Dumont numa espécie de república independente da alegria, onde o triângulo vira ministro da felicidade, a zabumba assume a presidência do coração e a sanfona governa sem oposição. Ali, o povo dança tanto que até o relógio perde o compasso e pede licença para tirar um cochilo na rede da eternidade.

Enquanto isso, em Brasília, a política continuava seu campeonato olímpico de cambalhotas sem rede. A pesquisa Quaest apareceu como um espelho indiscreto na sala dos poderosos, desses que mostram até a poeira escondida atrás da estante. Flávio Bolsonaro viu alguns apoios escaparem pelos dedos como sabonete em banho de açude, enquanto Lula ganhou alguns ventos favoráveis nas velas de sua embarcação eleitoral. E o eleitor? Ah, o eleitor segue sendo o personagem mais curioso dessa novela: reclama do roteiro, critica os atores, desconfia dos diretores, mas não perde um capítulo sequer. A democracia, essa senhora teimosa e enrugada, continua caminhando de bengala, tropeçando aqui e ali, mas insistindo em seguir adiante.

Lá na Suíça, país onde até os relógios parecem ter doutorado em pontualidade, surgiu uma discussão digna de romance de ficção: limitar a população. Imagine só! Enquanto em muitos lugares o problema é caber gente dentro dos sonhos, por lá discutem se os sonhos ainda têm espaço para mais gente. O debate parece uma festa elegante onde alguém pergunta se há cadeiras suficientes antes de convidar os próximos convidados. E o mundo observa, coçando a cabeça, entre a curiosidade e a perplexidade.

No fim das contas, o sábado nos ensina uma velha lição embrulhada em papel de forró e fita de ironia: os povos dançam, os políticos disputam aplausos e as nações contam habitantes, mas a vida continua sendo esse grande arraial universal onde ninguém conhece completamente o roteiro. E talvez seja justamente por isso que seguimos em frente, rindo das nossas trapalhadas, tropeçando nas próprias certezas e dançando forró com o destino, esse sanfoneiro invisível que nunca revela qual será a próxima música. Afinal, se o mundo fosse perfeitamente previsível, até o humor pediria aposentadoria por falta de serviço.

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