Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 05 de Junho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 05 de Junho de 2026


Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Junho abriu a sanfona do tempo e puxou o fole da esperança. Em Aracaju, a Marinete do Forró saiu pelas ruas parecendo uma nave espacial nordestina, movida a zabumba, triângulo e sorriso. Era como se Santo Antônio tivesse tirado carteira de motorista e resolvesse passear pela cidade levando passageiros em vagões de alegria. O ônibus cantava, dançava e quase pedia milho cozido nos semáforos. E convenhamos: num mundo onde tanta gente vive desafinada pela correria, um ônibus carregado de forró vale mais que mil buzinas de mau humor.

Enquanto isso, lá pelos corredores da Justiça, uma denúncia contra um desembargador suspeito de trocar decisão judicial por um quadriciclo acabou arquivada. O caso passou pela estrada da investigação e estacionou na garagem da falta de provas. O quadriciclo, coitado, virou celebridade nacional. Nunca um veículo de quatro rodas foi tão comentado sem disputar um único rali. O brasileiro olhou para a notícia e coçou a cabeça: às vezes a realidade escreve roteiros que até os humoristas recusariam por parecer exagero demais.

No campo da educação, o Enem ganhou prazo extra. O governo esticou o calendário como quem aumenta a rede para caber mais sonhos. E ainda bem! Porque sonho de estudante é igual pipoca em festa junina: quanto mais fogo de incentivo, mais ele estoura para o alto. Que ninguém deixe a oportunidade passar. O futuro não costuma bater duas vezes na mesma porta sem cobrar ingresso.

Mas nem só de risos vive o jornal. Do outro lado do planeta, o deserto do Saara escreveu uma das páginas mais dolorosas desta semana. Cerca de cinquenta pessoas perderam a vida após um caminhão quebrar em meio à imensidão de areia. O sol virou um gigante impiedoso, e a sede caminhou como um fantasma silencioso entre homens e mulheres que apenas tentavam voltar para casa. Enquanto alguns discutem poder, dinheiro e vaidades, outros lutam simplesmente por um copo d'água. É uma ironia amarga de um mundo onde há rios de desperdício e desertos de solidariedade.

E assim terminou mais um capítulo desta grande novela chamada humanidade. De um lado, a sanfona sorrindo pelas ruas de Sergipe; de outro, o silêncio cortante do Saara. Entre o forró e a tragédia, entre o sonho do Enem e os mistérios da Justiça, seguimos nós, passageiros dessa Marinete chamada vida, sacolejando pelas curvas do destino. Às vezes rindo, às vezes chorando, mas sempre procurando um motivo para continuar dançando enquanto a música ainda toca.

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