Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de junho de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O mundo acordou parecendo um enorme circo onde os palhaços disputavam espaço com os equilibristas, enquanto o destino, vestido de maestro desastrado, insistia em reger uma orquestra de buzinas, discursos e esperanças. Em Sergipe, a notícia de mais de mil vagas de emprego surgiu como um oásis no deserto da ansiedade. Era quase possível ouvir o desemprego tropeçando na própria sombra e fugindo de chinelos, perseguido por currículos que voavam como pombos apressados. O cidadão, porém, descobriu que antes de conquistar o sonhado trabalho precisava vencer o lendário dragão da senha do gov.br, criatura digital que às vezes parece esconder a chave do futuro dentro de um labirinto onde até a paciência pede demissão.
Enquanto isso, do outro lado do oceano, Lula circulava entre presidentes e primeiros-ministros na cúpula do G7 como quem tenta apagar incêndios com palavras e servir café para egos do tamanho de planetas. Ali, apertos de mãos valem mais que halteres olímpicos, sorrisos têm quilômetros de diplomacia e cada fotografia esconde um romance complicado entre interesses econômicos e promessas internacionais. Trump surgia como aquele convidado da festa que ninguém sabe se chega cedo, tarde ou apenas manda um recado pelo porteiro da História.
Mas a tragédia também resolveu bater continência. Um B-52, gigante de aço acostumado a desafiar os céus, despencou como uma estrela que esqueceu o caminho de volta para a noite. A fumaça desenhou um luto cinzento no horizonte da Califórnia, lembrando que até as máquinas mais poderosas descobrem, cedo ou tarde, que a gravidade é uma professora severa, que não aceita recursos nem pedidos de segunda chamada. O silêncio das famílias ecoou mais alto que qualquer motor.
E assim segue a humanidade: um bolso procurando emprego, outro assinando tratados, outro contando lágrimas. O planeta é uma panela de pressão onde a esperança ferve ao lado da preocupação, e nós, passageiros desse ônibus chamado Terra, seguimos fazendo piadas para não enlouquecer, rindo porque o riso ainda é o guarda-chuva mais barato contra as tempestades da existência. Afinal, a vida continua escrevendo suas manchetes com tinta de ironia: enquanto uns procuram trabalho, outros procuram acordos, e todos, sem exceção, procuram apenas um amanhã que seja um pouco menos pesado do que ontem. Talvez seja esse o maior emprego da humanidade: nunca deixar a esperança pedir demissão.