Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de maio de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de maio de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Começamos esta crônica com o coração vestido de preto e os olhos carregando nuvens pesadas iguais céu de inverno brigando com trovão. Itabaiana amanheceu chorando água. Os Pilões da Ribeira, que costumavam cantar com voz de cachoeira apaixonada, resolveram rugir como um dragão furioso depois de acordar de mau humor. A natureza, às vezes, troca o violino pela marreta. O rio, que parecia dançar um forró tranquilo entre as pedras, virou um touro desembestado escorregando correnteza abaixo. E ali, no meio daquele passeio escolar que tinha cheiro de alegria, lanche em sacola e risadas adolescentes, a tragédia apareceu sem pedir licença, igual visita inconveniente em dia de faxina. O guia e uma estudante foram levados pelas mãos violentas da água, enquanto o tempo parava assustado feito relógio sem pilha.

O silêncio tomou conta do sábado como um padre triste encerrando missa de corpo presente. Até o vento parecia caminhar devagarinho para não machucar ainda mais as famílias. Ah, meu caro leitor… a vida é uma rede armada entre dois coqueiros: bonita de longe, mas basta um nó frouxo para alguém cair de costas na areia quente da existência.

Enquanto isso, em Brasília, a política continuava aquele eterno campeonato de xadrez jogado por pombos nervosos. Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria até o STF analisar o embrulho jurídico. E o Brasil, essa panela de pressão sem válvula, ficou olhando para a Justiça como quem assiste novela mexicana em dia de apagão: ninguém entende direito, mas todo mundo quer opinar. Bolsonaro e os condenados do 8 de janeiro agora aguardam a decisão do Supremo como estudantes esperando o resultado final depois de colar errado na prova. Tem gente gritando “liberdade!”, outros berrando “cadeia!”, e o país segue dividido igual pizza de festa infantil: cada um puxando sua fatia e deixando a borda da democracia toda esfarelada.

E quando a gente pensa que o roteiro já estava maluco demais, surge um navio com surto de hantavírus chegando às Ilhas Canárias. O planeta virou um grande episódio de suspense dirigido por um roteirista que claramente perdeu a noção do limite. O MV Hondius navegava como um fantasma marítimo carregando medo, isolamento e preocupação. A OMS acompanhando tudo parecia mãe desesperada tentando controlar menino hiperativo em supermercado. Passageiros sendo retirados isoladamente… parecia cena de filme onde basta alguém espirrar e metade do elenco começa a correr em câmera lenta.

Ah, Brasil… ah, mundo… somos passageiros de um ônibus desgovernado dirigido por um GPS bêbado e abastecido com ironia. Entre rios revoltados, tribunais pegando fogo em debates e vírus viajando de cruzeiro internacional, o povo segue sobrevivendo no braço, no café forte e na piada improvisada. Porque brasileiro ri até da própria tragédia. Se faltar humor, meu amigo, o país explode igual panela de pipoca esquecida no fogão.

E assim termina este sábado de maio: com lágrimas escorrendo nas cachoeiras de Sergipe, com ministros afiando canetas em Brasília e com um navio doente cruzando oceanos como metáfora perfeita deste planeta cansado. O mundo anda tão estranho que daqui a pouco siri vai subir em árvore, mosquito vai pedir PIX e deputado vai prometer falar pouco. Aí sim será o verdadeiro apocalipse.

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