Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de maio de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Ah, caro leitor, o Brasil amanheceu nesta quinta-feira igual panela de pressão esquecida no fogo: chiando, tremendo e ameaçando explodir feijão para todos os lados. Sergipe abriu o dia com um sopro de esperança no peito pequeno de uma bebê que venceu a batalha contra a irresponsabilidade humana. A criança, tão miúda quanto um botão de camisa, saiu do hospital carregando nos pulmões não apenas o ar da sobrevivência, mas também a medalha invisível dos guerreiros que desafiam o descuido deste mundo torto. O povo agradeceu a Deus com a emoção de quem encontra água no deserto e pão quente na mesa depois da fome. Porque, meu amigo, neste país até respirar virou loteria: o cidadão entra gripado e sai rezando igual beata em procissão de sexta-feira santa.
Enquanto isso, Aracaju chorava a partida de Jidenal Francisco dos Santos, homem que atravessou sete mandatos como quem atravessa sete mares numa jangada feita de votos, discursos e cafezinho de Câmara Municipal. A política sergipana perdeu mais uma árvore antiga do seu quintal. E como faz falta uma árvore velha quando o sol da crise castiga o lombo do povo! Hoje há político que troca ideologia igual troca de filtro do Instagram: pela manhã é leão, à tarde vira cordeiro e à noite já está abraçado até com o inimigo em troca de um cargo com ar-condicionado.
E o Brasil seguiu tropeçando nas próprias rodovias. A Câmara aprovou o Plano Nacional de Segurança Viária para a Fauna Silvestre. Finalmente alguém percebeu que tatu, capivara, tamanduá e onça também têm CPF emocional neste país de buzina nervosa e caminhoneiro apressado. Os bichos andam pelas estradas igual aposentado tentando atravessar avenida em dia de chuva: sem proteção, sem respeito e correndo risco de virar manchete. A BR-262 virou praticamente um cemitério asfaltado, onde os pneus cantam ópera macabra para mais de dois mil animais por ano. O ser humano construiu estradas tão arrogantes que até o sapo precisa consultar GPS para sobreviver.
E como desgraça pouca é bobagem, a Anvisa resolveu puxar o freio de mão da fábrica da Ypê. O brasileiro já lava prato com raiva da vida, agora vai lavar desconfiado também. A notícia caiu na cozinha do povo igual barata voadora em almoço de domingo. Dona Maria olhou para a pia ensaboada como quem encara um filme de terror. O detergente, antes símbolo da limpeza nacional, virou suspeito mais rápido que político em CPI. O brasileiro não tem um minuto de paz: quando não é o arroz caro, é o sabão querendo virar experiência científica.
Lá nos Estados Unidos, Donald Trump chamou Lula de “bom homem” e “inteligente”. Rapaz… a política internacional parece novela mexicana escrita por roteirista com febre. Ontem trocavam farpas como dois galos brigando em feira livre; hoje já trocam elogios iguais compadres tomando café com biscoito amanteigado na varanda da diplomacia. O mundo político é um baile de máscaras tão confuso que até camaleão anda fazendo curso para aprender a mudar de cor mais rápido.
E assim segue o Brasil: um circo onde o palhaço paga ingresso, a plateia chora rindo e o leão do imposto continua rugindo no ouvido do trabalhador. Mas o povo brasileiro, esse bicho teimoso, continua levantando cedo, fazendo piada da própria tragédia e carregando esperança no bolso furado da calça. Porque rir, meu caro leitor, virou a última forma de rebeldia num país onde até a realidade anda fazendo stand-up comedy.