Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de maio de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de maio de 2026



Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Olá, caro leitor e cara leitora… aperte o cinto da emoção porque o Brasil desta terça-feira acordou parecendo um circo montado no acostamento da vida: de um lado, carretas estacionadas na Avenida Coelho e Campos como elefantes metálicos engarrafando o juízo dos motoristas; do outro, o coração da gente estacionado na vaga apertada da saudade. A SMTT interditou ruas, mas quem interditou mesmo o trânsito da alma foi a despedida de Requinho, o cachorro veterano que, depois de 14 anos e 4 meses de latidos, rabos abanando e olhares mais sinceros que promessa de político em época de eleição, resolveu pegar a última estrada rumo ao céu dos cachorros.

Eita, meu amigo… Requinho partiu igual folha seca carregada pelo vento do tempo. O quintal ficou silencioso como igreja em tarde de quarta-feira chuvosa. Até o sol parecia economizar brilho, como se tivesse colocado óculos escuros para esconder as lágrimas. E no meio daquele velório canino cheio de saudade e patas trêmulas, Bolotinha virou uma estáua viva da fidelidade. O bichinho não saía de perto do corpo do amigo. Parecia um guarda-costas da amizade, um poeta peludo fazendo vigília no altar da lealdade. Enquanto muito ser humano abandona amizade por causa de política, herança ou senha do Wi-Fi, um cachorro mostrava ao mundo que amar também é permanecer. Ah, meu caro leitor… às vezes os animais dão aula de humanidade enquanto os humanos matam a aula para assistir a novela da hipocrisia.

E no meio desse terremoto emocional, o governo federal anunciou o fim da famosa “taxa das blusinhas”. O brasileiro comemorou mais do que torcedor quando o juiz dá acréscimo até o time empatar. Tinha gente quase abraçando o entregador dos Correios na rua. As comprinhas internacionais agora chegaram sambando sem o pedágio da tristeza tributária. A Shein virou quase patrimônio afetivo nacional. O povo estava tão feliz que já tinha dona Maria comprando três vestidos, dois carregadores de celular, uma sanduicheira e um pisca-pisca de Natal em pleno mês de maio. O brasileiro é um ser mágico: parcela o futuro, ri do presente e ainda pede cupom de desconto para aliviar a inflação da alma.

Enquanto isso, do outro lado do planeta, o Reino Unido mandava drones, navios e jatos de guerra para o Estreito de Ormuz. O mundo parece uma panela de pressão esquecida no fogo da geopolítica. Os líderes mundiais brincam de War com bombas de verdade enquanto o povo comum só queria pagar boleto sem sofrer taquicardia. Os navios cruzam mares tensos como tubarões engravatados, e os drones voam no céu igual mosquitos tecnológicos da ansiedade internacional. A humanidade constrói inteligência artificial, mas continua repetindo burrices naturais.

E assim segue o planeta: em Aracaju, o trânsito aperta; em Brasília, o imposto desaperta; em Londres, os canhões despertam; e em Japaratuba, um cachorro deixa saudade maior que muita gente viva. A vida é esse liquidificador emocional batendo alegria, dor, ironia e esperança tudo ao mesmo tempo. Hoje o mundo sorriu comprando blusinha barata, chorou despedindo-se de um amigo de quatro patas e buzinou preso no trânsito da existência.

No fim das contas, talvez a maior notícia não esteja nos jornais nem nos decretos. Talvez esteja naquele silêncio de Bolotinha olhando Requinho pela última vez… porque existem despedidas que latem dentro da alma da gente para sempre.

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