Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de maio de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Ah, caro leitor, o Brasil amanheceu nesta quarta-feira como um bolo confeitado por um padeiro bêbado: bonito por cima, desmoronando por baixo e cheio de buracos no meio da massa. Aracaju virou uma metáfora ambulante do país — uma cidade onde o chão abre a boca igual sogra indignada em almoço de domingo. A cratera da Avenida Antônio Cabral apareceu de novo como aquele parente que ninguém convida para a festa, mas sempre chega carregando problema e levando a farofa embora. O asfalto, cansado de tanta humilhação, resolveu pedir aposentadoria antecipada e desabou no meio da rua como um ator dramático de novela mexicana. A Iguá correu para resolver o problema com a velocidade de uma tartaruga puxando um guarda-roupa na lama.
Enquanto isso, famílias desocupavam o prédio da Secretaria de Assistência Social em Aracaju. A cena parecia um navio de papel navegando em lágrimas. O povo, que já carrega o mundo nas costas igual Atlas nordestino, saiu segurando colchão, sacola, esperança e um restinho de dignidade embrulhado em pano de prato. A promessa de cadastrar mais famílias para habitação chegou como aquelas promoções de supermercado: “leve um sonho e pague com cem prestações de sofrimento”. O pobre brasileiro já não mora; ele sobrevive em modo gambiarra emocional.
E Brasília? Ah, Brasília é um circo climatizado com cheiro de cafezinho caro e gravata suada. O Congresso resolveu brincar de ressuscitar exame médico para renovar CNH. A carteira agora vai precisar provar que o motorista enxerga, respira, pisca e talvez até saiba distinguir um buraco de uma piscina olímpica. O problema é que, nas ruas brasileiras, até quem tem visão de águia dirige desviando de crateras como se estivesse jogando videogame. O brasileiro não tira habilitação; ele faz curso intensivo de rally urbano.
Lula embarcou para os Estados Unidos para encontrar Donald Trump.
E o mundo perdeu Ted Turner, fundador da CNN, o homem que transformou notícia em rio sem porteira, correnteza de informação escorrendo vinte e quatro horas por dia dentro das casas. Morreu aos 87 anos, deixando a televisão mais órfã que controle remoto sem pilha. Foi ele quem ensinou o planeta a dormir abraçado com tragédia ao vivo, previsão do tempo e comentarista brigando em tela dividida. A notícia agora chora baixinho num canto da redação, vestida de preto e segurando um microfone molhado de saudade.
E assim terminou o 6 de maio de 2026: um dia em que o chão rachou, o povo chorou, os motoristas rezaram e a televisão mundial perdeu um de seus maestros. O Brasil segue andando igual carro velho em estrada de barro: fazendo barulho, soltando fumaça, mas insistindo em continuar viagem. Porque o brasileiro, meu amigo, é uma mistura de poeta com pedreiro — constrói esperança até em terreno interditado.