Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de maio de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abram-se as cortinas da segunda-feira! Porque o circo da política, o teatro do futebol, o incêndio do mundo e a ópera dos penduricalhos públicos resolveram desfilar juntos na avenida do Brasil, como se fosse Carnaval em pleno mês de maio, com direito a trombone desafinado, fumaça no céu e narrador gritando: “Seguuuuura, povo brasileiro!”
Em Itabaiana, o velho matadouro voltou a mugir nos corredores da Justiça. O Ministério Público Federal entrou em cena como um fiscal de feira livre desconfiado do peso da balança. Disse que a conta não fecha. Um prejuízo milionário querendo ser curado com um band-aid de troco de padaria. E a política sergipana, essa novela mexicana com sotaque nordestino, já prepara novo capítulo: renuncia daqui, pré-candidatura dali, promessa acolá… O eleitor olha tudo com a mesma cara de quem compra coxinha e descobre que veio sem frango. O povo anda cansado de discurso empanado em farinha eleitoral.
Enquanto isso, o futebol brasileiro amanheceu de luto e esperança ao mesmo tempo — esse esporte bipolar que faz o coração da torcida parecer liquidificador sem tampa. O “Pequeno Príncipe” Geovani foi jogar bola nas nuvens. Ah, Geovani… baixinho no tamanho, gigante no talento. Era daqueles jogadores que tratavam a bola como quem dança bolero com uma rosa na boca. Hoje, São Januário chora como criança que perdeu o sorvete no chão. Até as traves do Vasco parecem soluçar ferrugem.
Mas o Brasil não sabe sofrer sem fazer meme. Enquanto uns choravam a despedida de Geovani, outros já faziam cálculos espirituais sobre Neymar na Copa de 2026. E eis que Carlo Ancelotti apareceu no Museu do Amanhã — lugar apropriado, porque convocar a Seleção Brasileira hoje em dia exige mesmo fé no futuro. Neymar voltou! O homem das chuteiras brilhantes, dos dribles cinematográficos e dos tornozelos tratados como vaso de cristal renasceu das cinzas futebolísticas como uma fênix patrocinada por shampoo e energético.
E o torcedor brasileiro? Ah, o torcedor brasileiro é um poeta alcoólico da esperança. Sofre na segunda, acredita na terça, faz tatuagem na quarta e pede “Fora Técnico” na quinta. Já tem gente prometendo até caminhada descalça até Aparecida se o hexa vier. O brasileiro transforma Copa do Mundo em religião temporária. O VAR vira demônio, o juiz vira vilão de novela e o narrador grita tanto que até o cachorro da vizinha aprende a palavra “GOOOOOL”.
Em Brasília, as entidades de juízes pediram flexibilização dos penduricalhos salariais. Traduzindo para o português popular: querem que o teto vire cobertura duplex. O povo olhando a conta de luz chegar parecendo boleto de compra de foguete da NASA, enquanto certas excelências discutem extras com a delicadeza de quem escolhe sobremesa em restaurante caro. O trabalhador brasileiro ri para não chorar. E chora porque o salário acaba antes do mês começar. Tem brasileiro que já entra no supermercado fazendo oração em línguas ao passar pelo corredor do café.
E lá na Califórnia, o fogo dançou tango com o vento em Simi Valley. As chamas avançaram como dragões famintos engolindo árvores, casas e o sossego da população. O planeta parece febril. A Terra está tossindo fumaça, espirrando calor e mandando recado em letras de fogo: “Vocês brincaram demais comigo.” Mas ainda tem gente tratando aquecimento global como se fosse invenção de ventilador quebrado.
No fim das contas, este 18 de maio foi um mosaico de emoções: política fervendo igual panela esquecida no fogão, futebol misturando lágrima e esperança, salários virando piada de humor ácido e incêndios lembrando que a natureza também perde a paciência.
E o brasileiro segue… feito equilibrista em cima de corda bamba, carregando boleto numa mão, celular na outra e esperança presa entre os dentes.
Porque neste país até o caos samba.