Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de maio de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O domingo amanheceu com o céu vestido de cinza, como se as nuvens tivessem colocado roupa de luto para caminhar silenciosamente pelas ruas de Sergipe. E a vida, essa professora severa que não dá segunda chamada, abriu o jornal do destino com lágrimas escorrendo pelas margens. Em Canindé de São Francisco, uma criança partiu afogada num poço… e quando uma criança vai embora, até o vento perde a vontade de soprar. O poço, que deveria guardar apenas água, virou um abismo de tristeza, engolindo sonhos, brinquedos invisíveis e o sorriso que ainda tinha cheiro de infância. Em Pirambu, o povo também abaixou a cabeça diante da partida de João da Latinha, homem simples, desses que carregam apelido no peito e amizade no bolso. O coração dele resolveu pedir aposentadoria sem aviso prévio, fazendo greve eterna no meio do expediente da vida. Nossos sentimentos às famílias enlutadas.
Mas o mundo gira mais rápido que ventilador velho em dia de calor nordestino, e enquanto uns choram, outros já estão afiando discursos como facas de churrasco em campanha eleitoral. A Democracia Cristã lançou Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência, trocando Aldo Rebelo no tabuleiro político como quem troca técnico de time desesperado na zona de rebaixamento. Brasília continua sendo aquele grande circo romano onde os leões usam gravata, os palhaços fazem discursos e o povo compra pipoca sem saber se ri ou se chora. A política brasileira parece um forró tocado por sanfona desafinada: ninguém entende direito o ritmo, mas todo mundo acaba pisando no pé de alguém.
Enquanto isso, do outro lado do oceano, o Ebola voltou a rondar o Congo como um fantasma de botas pesadas batendo na porta da humanidade. A OMS declarou emergência internacional, mas explicou que não é o começo de uma nova pandemia estilo Covid. Ainda bem. Porque o povo já olha para qualquer notícia de vírus com o mesmo medo de quem escuta barulho estranho no telhado de madrugada. Basta alguém espirrar no ônibus que metade dos passageiros já pensa em construir um bunker no quintal. O mundo ficou traumatizado: até uma simples tosse hoje entra numa sala causando mais tensão que sogra em reunião de casal.
E assim seguimos… entre lágrimas e memes, entre o caixão e o palanque, entre o medo do vírus e a inflação que já contaminou até o preço do café. A humanidade virou uma panela de pressão esquecida no fogo: faz barulho, solta fumaça e ninguém sabe exatamente a hora que explode. Mas o brasileiro, esse poeta da sobrevivência, continua remando contra a corrente com um sorriso torto no rosto e um café requentado na mão. Porque rir, meu amigo, às vezes é a única vacina que ainda não ficou em falta nas prateleiras da alma.