Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de maio de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Sergipe amanheceu parecendo baile de São João onde os cavalheiros perderam o ônibus da quadrilha. Segundo o IBGE, faltam homens no estado, e as mulheres sergipanas agora olham para os poucos sobreviventes masculinos como quem procura promoção de café em supermercado no fim do mês: raro, disputado e quase sempre vencido. Tem homem em Sergipe se sentindo edição limitada, igual figurinhas douradas da Copa. Já tem cabra andando de peito estufado na feira, achando que virou patrimônio histórico tombado pelo IPHAN. O espelho virou cabo eleitoral da vaidade masculina.
Enquanto isso, em Brasília, a Polícia Federal trocou o elevador das investigações do INSS e levou o processo para andar mais alto, daqueles onde o carpete é tão macio que até os escândalos caminham de sapato silencioso. A corrupção no Brasil é igual siri na lama: quando a gente pensa que pegou um, aparecem dez correndo de lado. E o povo? Ah, o povo continua segurando a aposentadoria como quem segura sacola de pão em dia de chuva: com medo de rasgar antes de chegar em casa.
E no teatro tropical da política brasileira, as emendas parlamentares dançam forró com ONGs, produtoras e filmes, enquanto os ministros investigam tudo com cara de professor que encontrou cola no fundo da sala. Brasília parece uma novela mexicana dirigida por Kafka e patrocinada por café forte. Todo mundo jura inocência com a mesma convicção de menino que chega em casa de boca suja de chocolate dizendo que “não mexeu no bolo”.
Lá nas Maldivas, o oceano escreveu poesia triste. A mergulhadora italiana, que já havia escapado de um tsunami, acabou abraçada pelo silêncio azul das profundezas. O mar às vezes parece um velho poeta melancólico: seduz, canta, acaricia… e depois engole os versos. A vida é um sopro vestido de biquíni diante da eternidade salgada dos oceanos.
E quando a notícia do cachorro Lazere apareceu, até o coração mais duro virou mingau quente. Trinta anos viveu aquele pequeno spaniel francês, mais velho que muito casamento, muita promessa política e muito asfalto de prefeitura recém-inaugurado. Lazere atravessou décadas como um filósofo de quatro patas, abanando o rabo para o tempo. Sobreviveu à dona, ganhou um novo lar no apagar das luzes e partiu deixando aquele vazio que só os cães sabem cavar no peito humano. Cachorro não morre… cachorro vira saudade com pelos e latidos ecoando na memória.
No fim das contas, o mundo segue rodando igual ventilador velho: fazendo barulho, tremendo e ameaçando cair na cabeça da gente. Entre homens raros, escândalos reciclados, mares profundos e cachorros eternos, seguimos nós, brasileiros, equilibrando humor e tragédia como palhaços sentimentais num circo sem lona. E talvez seja exatamente isso que nos salva: a capacidade de rir enquanto o caos dança lambada em cima do telhado da vida.