Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de maio de 2026

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Vamos pegar o trem azul de notícias

Senhoras e senhores passageiros do cotidiano, apertem os cintos da imaginação porque o Trem Azul das Notícias saiu da estação do mundo com destino à República das Surpresas e sem previsão de chegada — porque notícia boa corre, notícia ruim voa e notícia curiosa pega carona.

Na locomotiva vinha Sergipe, de gravata engomada e sapato lustrado, anunciando novo desembargador como quem escolhe o novo maestro para reger a sinfonia dos processos eternos. O Quinto Constitucional apareceu vestido de cerimônia, segurando um violino invisível e dizendo ao povo: “que os autos estejam convosco”. E no meio do palco jurídico surgiu o novo nome da vez, enquanto os corredores do poder pareciam aquelas festas onde todos sorriem como quem sabe de alguma coisa que o resto da humanidade descobrirá amanhã.

No vagão seguinte veio Brasília, carregando um galão de esperança e um litro de matemática criativa. A gasolina recebeu um empurrãozinho governamental de quarenta e quatro centavos por litro — como quem joga um copo d’água numa churrasqueira acesa e diz: “pronto, agora refrescou”. O brasileiro olhou para o posto como quem reencontra um amor antigo: aproxima-se com esperança e sai fazendo contas no celular. O combustível, esse poeta dramático do bolso nacional, continua escrevendo sonetos em cada abastecimento: primeiro emociona, depois cobra.

E quando o trem parecia seguir tranquilo pelos trilhos da normalidade… o Chile resolveu lembrar ao planeta que a Terra também tem opinião e às vezes decide espreguiçar as costas sem avisar ninguém. Veio um terremoto daqueles que fazem o armário dançar forró sem ensaio e os copos ensaiarem uma coreografia contemporânea. A terra tremeu, os objetos balançaram e por alguns segundos até o relógio deve ter pensado: “acho melhor esperar passar”.

Curioso esse nosso mundo… aqui escolhemos nomes, ali tentamos segurar preços e acolá o planeta inteiro lembra que continua vivo debaixo dos nossos sapatos. O ser humano faz decreto, assina papel, cria regra, discute em rede social… e a Terra responde apenas com um discreto: “não esqueçam quem sustenta o palco.”

No fim da viagem, o Trem Azul entrou lentamente na estação da noite. Desceram passageiros cansados, outros esperançosos e alguns segurando um litro imaginário de gasolina como troféu. E eu fiquei na plataforma pensando que viver talvez seja isso: comprar passagem todos os dias para um trem que ninguém sabe o horário de chegada… mas que sempre traz, entre uma curva e outra, uma notícia pronta para rir da nossa certeza.

Boa noite, caro leitor. Amanhã o trem parte de novo. E, como sempre, sem aviso prévio.

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