Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de abril de 2026
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abril de 2026 se despede como um ator cansado, mas vaidoso, desses que saem do palco fazendo reverência até para a própria sombra — um mês que sorriu com dentes de ouro e chorou com lágrimas de ferrugem. Foi um calendário que parecia ter coração: ora batia em ritmo de samba, ora soluçava em silêncio de velório. E assim, com esse ar de quem viveu demais em poucos dias, ele fecha as cortinas e cochicha: “sobrevivam a maio, se puderem”.
Em Sergipe, a justiça resolveu vestir toga de trovão e fazer chover consequências. O ex-prefeito de Neópolis, que brincou de maestro com a máquina pública, regendo contratações como quem distribui balas em festa de criança — só que a festa era eleitoral — agora dança ao som da inelegibilidade. Oito anos fora do baile político: tempo suficiente para refletir, ou para ensaiar novos passos nos bastidores. A defesa já recorreu, claro — porque no Brasil até o eco recorre da própria voz. E assim segue o teatro: uns condenados, outros indignados, e o povo… bem, o povo segue assistindo com pipoca de esperança e um leve gosto de desconfiança.
Em Brasília, o Congresso resolveu brincar de cabo de guerra com o Executivo — e puxou com força. Derrubaram o veto da dosimetria, mexeram em penas, reescreveram destinos políticos como quem troca o final de uma novela às pressas porque a audiência caiu. O governo levou mais um tropeço, desses que fazem o sapato da autoridade ranger no chão da realidade. A política brasileira, ah… essa é um circo onde o palhaço às vezes chora, o mágico some com promessas e o leão… bem, o leão somos nós, domados pela rotina e pela esperança teimosa.
Mas enquanto os poderosos duelam com canetas e discursos, o mundo lá fora sangra em silêncio. Em Gaza, a noite não traz descanso — traz dentes. Ratos, famintos como a própria guerra, invadem o que restou da dignidade humana, mordendo crianças, devorando o pouco que sobrou de vida. É o retrato cruel de um planeta que, em pleno século XXI, ainda permite que a miséria caminhe de mãos dadas com a destruição. As tendas improvisadas não são abrigos, são metáforas rasgadas: pedaços de lona tentando cobrir a nudez da humanidade ferida. E ali, onde deveria haver sonhos, há medo; onde deveria haver futuro, há infecção.
E assim, abril vai embora — meio poeta, meio carrasco. Deixa no ar o cheiro agridoce das notícias: justiça que chega, política que tropeça e humanidade que ainda grita por socorro.
Abril se despede como quem sabe demais… e diz pouco. E nós ficamos, olhando o calendário virar a página, torcendo para que maio não venha com as mesmas ironias, os mesmos absurdos, as mesmas dores — mas já desconfiando, com aquele sorriso torto de quem conhece o roteiro, que o espetáculo… infelizmente… ainda está longe do fim.