Poesia : Solidariedade
Solidariedade
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Solidariedade é um rio invisível,
que corre por entre as rachaduras do mundo,
irrigando desertos de indiferença
com suas águas de empatia líquida e silenciosa.
É a alquimia dos gestos mínimos,
transmutando o chumbo frio do egoísmo
no ouro cálido da partilha,
num laboratório secreto chamado coração.
É um pacto tácito entre almas errantes,
uma sinfonia inaudível
onde mãos se entrelaçam
como raízes subterrâneas de uma mesma árvore humana.
Solidariedade é verbo conjugado na pele,
declinado no suor, na lágrima e no pão dividido,
um idioma ancestral
que dispensa dicionários, mas exige coragem.
É farol em noites abissais,
luz oblíqua rasgando o negrume das injustiças,
uma fagulha teimosa
que insiste em incendiar o impossível.
E quando o mundo se curva ao peso do próprio caos,
ela se ergue — altiva, indomável —
como ponte de carne e esperança,
ligando abismos com fios de humanidade.